Oração Diária – 3ª-feira, 24/02/202 – Lc 11,29-32

Oração Diária – 3ª-feira, 24/02/202 – Lc 11,29-32
Hoje, Senhor Jesus, eu me aproximo com a mão vazia e o coração inquieto, porque eu também caio na tentação de pedir prova, garantia, certeza, como se a fé precisasse de carimbo. Eu ouço teu Evangelho e sinto um puxão de orelha cheio de amor, desses que doem e curam ao mesmo tempo, porque Tu não alimentas curiosidade, Tu acendes conversão.
Além disso, eu reconheço o retrato dessa geração dentro de mim quando eu corro atrás de sinais e deixo passar o Sinal que já está diante dos meus olhos.
Eu te vejo como a luz na janela em noite de tempestade, clara, firme, chamando pelo meu nome, e mesmo assim eu invento desculpas, peço mais um milagre, mais um arrepio, mais uma confirmação. Eu não quero viver de fogos de artifício, eu quero viver do fogo manso do teu Espírito, que não faz barulho, mas muda tudo.
Então, eu abraço o sinal de Jonas como uma palavra que atravessa as entranhas do meu dia, porque esse sinal fala de descida e retorno, de silêncio e vitória, de morte vencida por dentro, como semente que some na terra e reaparece em fruto.
Eu paro de exigir espetáculo e escolho a estrada mais séria e mais bonita, a estrada do arrependimento concreto, aquele que troca o rumo, corta o pecado pela raiz e recomeça sem teatro. Eu te peço, Jesus, dá-me coragem pra engolir meu orgulho sem fazer careta, porque eu sei que a graça não negocia com a vaidade.

Por isso, eu lembro da rainha que atravessou distância e poeira pra buscar sabedoria, e eu te peço um coração viajante, desses que não ficam parados na preguiça espiritual. Eu também lembro do povo que ouviu um aviso e mudou de vida, e eu te peço um ouvido obediente, que não só escuta, mas pratica, que não só se emociona, mas decide.
Eu não quero ficar em pé no dia do julgamento com as mãos cheias de justificativas e a alma vazia de amor, porque Tu me ofereces hoje a Sabedoria maior, e eu não vou fingir que não notei.
Agora, eu coloco diante de Ti minhas áreas mais frágeis, sem maquiagem e sem frase bonita, porque o Evangelho pede verdade. Eu te peço saúde para quem sofre no corpo e na mente, força para quem carrega tratamento, remédio, dor escondida, e serenidade para quem acorda com medo do próprio dia.
Eu te peço paz na minha família, reconciliação onde a conversa travou, respeito onde o grito virou rotina, e unidade onde a mágoa fez ninho, porque teu Reino não combina com rancor guardado em gaveta.
Do mesmo modo, eu te confio meu pai falecido e minha mãe falecida, com tudo o que ficou por dizer e com tudo o que ainda aperta por dentro, e eu te suplico: acolhe, purifica, ilumina, abraça, e faz tua misericórdia cantar mais alto que minhas lembranças amargas.
Eu também te entrego filhos falecidos e toda dor que não tem nome, porque essa ferida parece mar sem margem, e só tua presença segura a pessoa pra ela não afundar. Eu não solto essas mãos sozinhas, Jesus, e eu peço consolo real, daquele que não vira frase pronta, mas vira chão firme.

Em seguida, eu te apresento meu trabalho e meu sustento, porque a vida concreta me cobra contas, prazos e responsabilidades, e eu não quero viver como se Tu não te importasses com isso. Eu te peço portas abertas com dignidade, sabedoria nas escolhas, honestidade nas decisões e firmeza pra dizer não ao que me corrompe, mesmo quando o dinheiro pisca como isca.
Eu te peço alívio nas dívidas e disciplina no uso do que eu tenho, porque eu não quero ser servo de boleto, nem escravo de ansiedade, e eu sei que Tu me ensinas a organizar o passo, cortar excessos e caminhar com esperança.
Enfim, eu faço um propósito simples e forte pra hoje: eu vou parar de pedir sinal como quem desafia Deus, e eu vou responder ao Sinal como quem ama de verdade. Eu vou escolher uma mudança concreta ainda neste dia, uma palavra que eu não direi, um perdão que eu não vou adiar, um vício que eu vou enfrentar, uma oração que eu vou cumprir com fidelidade, mesmo sem sentir nada de especial.
Eu caminho contigo, Jesus, maior que Jonas, maior que Salomão, maior que meus dramas, e eu termino esta oração com fome de vida nova, porque eu não nasci pra colecionar sinais, eu nasci pra te seguir. Amém.

