Oração Diária – 2ª-feira, 02/03/2026 – Lc 6,36-38
Oração Diária – 2ª-feira, 02/03/2026 – Lc 6,36-38
Hoje, Senhor Jesus, eu me coloco diante de Ti e encaro teu chamado sem maquiagem: Tu não pedes um pouco de bondade, Tu pedes um coração com o mesmo jeito do Pai, largo, quente e paciente. Assim, eu decido sair do modo pedra e entrar no modo fonte, porque a misericórdia não nasce do meu humor, ela nasce da tua vida em mim.
Então, quando a língua coça pra apontar o dedo, eu lembro que dedo vira seta e sempre aponta também pra quem acusa, e eu não quero viver com essa arma na mão. Por isso, eu largo o trono do juiz e volto pro meu lugar de filho, porque só filho entende que a casa do Pai funciona por compaixão, não por competição, e a minha pressa de condenar sempre cobra juros da minha paz.

Em seguida, eu te peço coragem pra perdoar de verdade, daquele jeito que desamarra nó antigo e abre janela num quarto abafado. Além disso, eu entrego as minhas dores mais íntimas, a falta que meu pai ou minha mãe deixaram, as saudades que apertam, as palavras que eu engoli com raiva, e eu escolho não transformar luto em dureza, nem lembrança em veneno.
Depois, eu seguro firme na imagem que Tu colocas na minha frente, como se eu enxergasse um cesto de grãos que alguém sacode, aperta, enche e ainda derrama por cima, fazendo até barulho, tipo tchum, tchum, tchum, de abundância. Portanto, eu abro a mão hoje, porque mão fechada não recebe, e eu não quero negociar amor contigo como se eu pagasse pedágio pra tua graça, já que Tu me convidas a dar com alegria, no silêncio, no simples, no escondido.

Além do mais, eu entendo que a “medida” não mora no bolso, ela mora no peito, e eu escolho qual régua eu uso quando olho pro outro, pro meu cônjuge, pros meus filhos, pros colegas, pra quem me feriu, e até pra mim mesmo. Assim, quando eu trato alguém com dureza, eu afio o mundo ao meu redor, e quando eu trato com misericórdia, eu deixo teu Reino respirar na minha rotina, na fila, no trânsito, na mesa do almoço, no medo da doença, nas contas, nas dívidas e nos sustos do dia.
Por fim, Senhor, eu te peço uma graça bem prática: dá-me lucidez antes da fala, mansidão no olhar e firmeza pra fazer o bem sem alarde, porque eu quero viver o Evangelho hoje e não só admirar de longe. Desse modo, eu saio daqui com um compromisso claro, eu vou escolher a misericórdia na primeira oportunidade, e quando eu cair, eu volto pra Ti depressa, porque teu Pai não me chama pra ser perfeito, Ele me chama pra parecer com Ele. Amém.

