Homilia para missa de sétimo dia

Homilia para missa de sétimo dia

Missa de sétimo dia

Homilia para missa de sétimo dia

Queridos irmãos, hoje nos reunimos com o coração apertado, porém sustentado pela fé. A dor da separação ainda ecoa forte, o silêncio da ausência pesa, e a saudade parece ocupar todos os espaços. No entanto, justamente aqui, neste momento delicado, a Palavra de Deus nos chama a levantar os olhos. Ela não nega o sofrimento, mas o ilumina, e não apaga as lágrimas, mas lhes dá sentido.

Ao longo da vida, aprendemos a conviver com a ideia da morte, mas quando ela nos toca de perto, tudo muda. De repente, percebemos como somos frágeis, como o tempo corre mais rápido do que imaginávamos, e como tantas coisas que julgávamos importantes perdem o brilho. Nesse cenário, a fé não entra para dar respostas fáceis. Ela entra para sustentar. Ela entra para dizer que a vida não termina no túmulo.

Por isso, hoje não celebramos apenas a memória de quem partiu. Celebramos a esperança que permanece. A fé cristã nos ensina que a morte não tem a última palavra. Deus não cria para o nada. Deus cria para a eternidade. Aquele que amamos não caiu no esquecimento, não se perdeu no vazio, não se dissolveu no tempo. Ele agora está nas mãos d’Aquele que é fiel, justo e misericordioso.

A sepultura não é ponto final

Além disso, esta celebração nos convida a olhar para dentro. A morte sempre nos evangeliza. Ela nos pergunta como temos vivido, o que temos priorizado, onde temos colocado o coração. Diante do fim de alguém querido, percebemos que não levamos conosco bens, títulos ou aplausos. Levamos apenas o amor que fomos capazes de viver e oferecer.

Enquanto isso, Cristo nos recorda que a vida aqui é passagem, não morada definitiva. Somos peregrinos. Caminhamos com passos frágeis, mas guiados por uma promessa firme. Jesus atravessou a morte e voltou, não como ideia, mas como presença viva. Por causa d’Ele, a sepultura não é ponto final, mas vírgula. Por causa d’Ele, o adeus se transforma em até logo.

Ao mesmo tempo, este sétimo dia nos ensina a rezar por quem partiu. A oração não muda o amor de Deus, mas nos une a ele. Quando rezamos, entregamos ao Senhor tudo o que ficou incompleto, tudo o que não foi dito, tudo o que poderia ter sido diferente. Confiamos que a misericórdia de Deus alcança onde nossas mãos não chegam.

Quem partiu vive agora em Deus

Também precisamos lembrar dos que ficam. O luto não termina em sete dias. Ele caminha conosco, às vezes silencioso, às vezes pesado. Contudo, Deus não abandona os corações feridos. Ele se faz próximo, discreto, presente. Ele acolhe a dor e, pouco a pouco, a transforma em saudade serena. Não apressa o processo, mas acompanha cada passo.

Dessa forma, hoje somos chamados a confiar. Confiar que Deus sabe o que faz, mesmo quando não entendemos, e que a vida continua em outra forma, em outra luz. Confiar que o amor não morre, apenas muda de lugar. Quem partiu vive agora em Deus, e quem fica vive sustentado pela esperança.

Por fim, entreguemos esta pessoa amada ao coração misericordioso do Pai. Entreguemos também nossa dor, nosso cansaço e nossas perguntas sem resposta. Que o Senhor conceda o descanso eterno a quem partiu e conceda aos que permanecem a paz que só Ele pode dar. E que, fortalecidos pela fé, sigamos caminhando, certos de que um dia nos reencontraremos na casa do Pai, onde não haverá mais dor, nem lágrimas, nem despedidas.

Amém.