Homilia para exéquias

Homilia para exéquias

Homilia para exéquias

Homilia para exéquias

Queridos irmãos, neste momento, portanto, o silêncio fala mais alto do que muitas palavras. Reunidos em torno deste mistério da despedida, trazemos no coração a dor da ausência e, ao mesmo tempo, a esperança que nasce da fé.

A morte nos desinstala, nos obriga a parar, a rever caminhos e a encarar aquilo que normalmente empurramos para depois. Aqui, diante deste corpo, a vida nos faz uma pergunta clara e direta: onde estamos colocando o nosso coração?

Ao longo da existência, todos nós caminhamos com pressa. Entretanto, a morte interrompe o ritmo, quebra o barulho e nos chama à verdade. Ela não grita, não discute, não acusa, mas ensina.

Ensina que nada do que é apenas material permanece. Ensina que títulos, bens e aplausos ficam. O que atravessa o tempo, porém, é o amor vivido, o bem feito, o perdão concedido, a fé cultivada no escondido do coração.

Neste instante, portanto, não celebramos apenas uma despedida, mas recordamos uma história. Uma vida concreta, com alegrias e limites, acertos e falhas, como a de todos nós. Deus conhece cada passo, cada lágrima, cada intenção que ninguém mais viu.

E é exatamente esse Deus que agora acolhe, não com frieza, mas com misericórdia. Ele não faz contas como os homens fazem, mas olha o coração e reconhece o esforço sincero. Ele recolhe o que foi vivido com amor.

Cristo entrou na morte e saiu vitorioso

Além disso, a fé cristã não nos permite olhar para a morte como um ponto final. Ao contrário, ela nos convida a enxergá-la como passagem. Passagem difícil, dolorosa para quem fica, mas necessária para quem parte.

Cristo entrou na morte e saiu vitorioso. Por isso, quando choramos, não choramos sem esperança. A cruz não venceu. O túmulo não teve a última palavra. A ressurreição abriu um caminho que ninguém pode fechar.

Diante disso, este momento também nos chama à conversão. Enquanto ainda respiramos, ainda temos tempo. Tempo de amar melhor, de pedir perdão, de consertar o que ficou torto, de dizer aquilo que adiamos por orgulho ou medo.

A morte de alguém querido sempre nos lembra que a vida não aceita rascunhos eternos. Um dia, a nossa história também será entregue nas mãos de Deus.

Por fim, confiemos esta pessoa ao Senhor da vida. Confiemos com simplicidade, como filhos que sabem em quem acreditam. Deus não abandona quem O busca, mesmo com passos vacilantes. Ele sustenta, acolhe e dá descanso. E a nós, que ficamos, Ele oferece a graça de continuar, levando no coração a memória, o aprendizado e a esperança do reencontro.

Que o Senhor console os corações feridos, fortaleça a fé dos que choram e nos ensine a viver de tal modo que, quando chegar a nossa hora, possamos também descansar em Suas mãos. Amém.

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