Homilia – “O cego foi, lavou-se e voltou enxergando”. Jo 9, 1-41
Homilia – “O cego foi, lavou-se e voltou enxergando”. Jo 9, 1-41

O quarto Domingo da Quaresma, somos convidados a Alegria (laetare). A Páscoa se aproxima. Estamos reunidos para “exaltar de alegria”, Jesus se manifesta como “Luz do Mundo” (Jo 9, 1-41). A fé nasce da confiança em sua Palavra e somos desafiados a acolher ou rejeitar seu ensinamento. A salvação frutificará num coração aberto e disponível, libertando-nos de nossas cegueiras.
No Batismo somos iluminados e chamados a nos comportar como filhos da luz e nela caminhar. Abandonar as falsas luzes; os discursos agressivos e não se omitir diante daqueles que provocam tantas divisões: na sociedade e na Igreja, por meio de redes sociais; abandonar atitudes movidas por interesses egoístas carregados de vaidade e desejos competitivos; a busca de ambição desenfreada e lucros exagerados resultando em marginalização e descarte de pessoas.
O Papa Francisco nos recordava que “nenhuma família fique sem teto, nenhum camponês sem-terra, nenhum trabalhador sem direitos”. Um sonho que deve se tornar compromisso entre nós. E cada gesto de acolhida, justiça e solidariedade deve revelar a face compassiva e reluzente de Deus.

Não podemos nos acostumar com o que vemos. Fingindo cegueira de um olhar domesticado, atrofiado e avesso. Devemos ser curados e libertados, estabelecer novas relações com Deus, com o próximo, conosco e com a criação. Precisamos vencer o pecado que divide, fere e provoca tanta destruição. Abrindo o coração ao perdão e à reconciliação e buscar o seguimento sincero de Jesus.
No Evangelho, Jesus curou um cego com um gesto de intimidade. Agachou-se, fez barro e tocou com ternura seus olhos e o enviou para lavar-se na piscina de Siloé. É uma cena de reconstrução da pessoa quebrada. Recorda o barro quebrado nas mãos de Deus-oleiro; desce como vaso velho e sobe como vaso novo.
Essa catequese conduz das trevas à luz, da opressão à liberdade, da exclusão à participação. É o caminho de Siloé, o caminho da vida. O homem, quando é separado de fonte divina, adoece. Sua cura acontece quando esse contato é restabelecido, a vida se expande e suas potencialidades se manifestam.
O cego, reconstruído em sua dignidade, assume suas responsabilidades, rompendo com sua dependência. Precisamos enxergar melhor.
Rezemos
Senhor, recupere em nós o Batismo e ungidos no seu amor, refaça o que está quebrado em nós…
O Senhor nos abençoe guarde.

