Homilia diária — São Martinho de Tours — Missa de 3ª-feira, 11/11/25
Homilia diária — São Martinho de Tours — Missa de 3ª-feira, 11/11/25
Hoje celebramos São Martinho de Tours, um dos santos mais amados da Igreja, um homem que uniu a coragem de um soldado à ternura de um discípulo de Cristo. Ele foi bispo, pastor, missionário, mas acima de tudo, foi um coração que soube enxergar Jesus em cada pessoa, especialmente nos pobres.
A vida de São Martinho começa como a de qualquer jovem comum. Era militar, servia ao exército romano, mas já trazia no coração o fogo da fé. Um dia, em pleno inverno, encontrou um mendigo tremendo de frio, então Martinho não hesitou: cortou ao meio o seu manto e deu metade ao homem. Naquela noite, teve uma visão. Jesus apareceu a ele vestido com a metade do manto e disse aos anjos: “Martinho, ainda catecúmeno, me cobriu com o seu manto.”
Que gesto simples, e ao mesmo tempo tão grande! Ele entendeu o que o Evangelho de Mateus nos ensina: “Tive fome e me destes de comer, estava nu e me vestistes.” Portanto, Martinho enxergou com os olhos da fé o que muitos não percebem com os olhos do corpo: Cristo vive nos pobres, e amar o pobre é tocar o próprio Cristo.
Mais tarde, Martinho se tornaria bispo, mas manteve a alma de servo. Rejeitou o luxo, viveu com humildade, evangelizou com o exemplo. Ele compreendeu que a autoridade cristã não se impõe, se oferece. O verdadeiro pastor não manda, serve. Não busca glória, busca almas.

Repartir o que somos
O testemunho de São Martinho é um antídoto contra a indiferença do nosso tempo. Ele nos lembra que a caridade não é um sentimento bonito, mas uma decisão concreta. Ele não esperou que o mendigo pedisse, nem que fosse conveniente ajudar. Amou por impulso do Evangelho, porque quem ama de verdade não calcula, se doa.
Quantas vezes passamos por pessoas feridas e frias na alma, e nem as enxergamos. Quantas vezes o Cristo faminto, nu, cansado e sozinho passa por nós nas ruas, e nós desviamos o olhar. São Martinho nos convida a reacender a sensibilidade que o mundo tenta apagar.
Ser cristão, irmãos, é repetir o gesto de Martinho: partir o que temos e repartir o que somos. A santidade não está em gestos grandiosos, mas na capacidade de amar nos detalhes. Um sorriso, uma escuta, uma roupa doada, um perdão oferecido — tudo isso é metade do manto que cobre o Cristo escondido nos irmãos.
Hoje, o Senhor nos chama a vestir os que tremem, não só de frio, mas de solidão e abandono. Nos chama a olhar para o mundo com olhos de compaixão, não de julgamento. A fé que não se torna gesto é como um manto dobrado que nunca aquece ninguém.
Peçamos, pela intercessão de São Martinho de Tours, um coração generoso, sensível e livre. Que aprendamos com ele a viver a fé com simplicidade e a amar com ousadia. Que o nosso cristianismo não seja feito de palavras, mas de gestos concretos de misericórdia.
E quando o Senhor nos chamar, que Ele também possa dizer de nós: “Eu estava com frio, e este meu servo me cobriu com o seu manto.”. Amém.

