Homilia diária — Missa de sábado, 31/01/26 — São João Bosco

Homilia diária — Missa de sábado, 31/01/26 — São João Bosco
Ao falar de São João Bosco, precisamos lembrar que Deus gosta de agir onde poucos olham. Por isso, Ele escolheu um jovem simples, pobre, sem grandes recursos, para tocar uma das feridas mais abertas da Igreja e da sociedade do seu tempo: a juventude abandonada. João Bosco não nasceu santo pronto. Ele se fez santo no chão duro da vida, com os pés na poeira, as mãos cheias de trabalho e o coração totalmente entregue a Deus.
Além disso, desde cedo, João Bosco entendeu algo fundamental: os jovens não precisam primeiro de regras, mas de presença. Enquanto muitos viam nos meninos de rua um problema, ele enxergava filhos.
Onde outros viam ameaça, ele via promessa. E é aí que sua santidade começa a incomodar. Porque amar assim exige sair do conforto, exige tempo, exige paciência, exige fé concreta.
Em seguida, fica claro que Dom Bosco não evangelizou com discursos longos, mas com proximidade. Ele escutava, brincava, ria e corrigia com firmeza e carinho. Seu método não nasceu em livros, nasceu no pátio. E isso revela uma profunda verdade teológica: Deus educa primeiro pelo amor, depois pela palavra. O coração abre a porta que a razão sozinha não consegue arrombar.

Educação e fé
Por outro lado, Dom Bosco nunca separou educação de fé. Para ele, formar um bom cristão e um bom cidadão era a mesma missão. Ele sabia que uma fé sem vida vira peso, e uma vida sem Deus vira vazio. Por isso, ensinava oração sem sufocar, disciplina sem dureza, obediência sem medo. Tudo respirava confiança. Tudo apontava para Cristo.
Ao mesmo tempo, sua espiritualidade não vivia nas nuvens. Ele confiava plenamente na Providência, mas trabalhava até o limite das forças. Rezava como quem depende só de Deus, mas agia como quem sabe que Deus conta com as suas mãos. Essa união entre céu e chão fez dele um sinal vivo do Evangelho encarnado.
Mais ainda, Dom Bosco acreditava na santidade possível. Ele não pregava um ideal distante, mas um caminho concreto. “Sede santos sendo alegres”, dizia com a própria vida. E aqui está uma provocação direta para nós: que tipo de fé anda estampada no nosso rosto? Uma fé pesada, amarga, ou uma fé que gera esperança e alegria?
Por fim, São João Bosco nos deixa um exame de consciência sério. Ele pergunta se ainda acreditamos nos jovens e questiona se preferimos reclamar do mundo ou cuidar dele. João Bosco provoca se nossa fé gera vida ou apenas palavras. E, silenciosamente, ele aponta para Cristo e nos lembra que educar, amar e evangelizar são formas altas de santidade quando feitas com verdade.
Assim, que São João Bosco interceda por nós. Que ele nos ensine a amar com paciência, a corrigir com ternura, a acreditar quando tudo parece perdido. E que, como ele, saibamos gastar a vida não para nós mesmos, mas para que outros encontrem Deus e descubram que também foram feitos para o céu. Amém.

