Homilia diária — Missa de sábado, 27/12/25 — Jo 20,2-8 — São João
Homilia diária — Missa de sábado, 27/12/25 — Jo 20,2-8 — São João
Ao contemplarmos São João, o apóstolo e evangelista, encontramos uma figura que une profundidade espiritual e humanidade concreta. João não caminha com Jesus apenas como seguidor atento, mas vive como amigo íntimo, como aquele que aprende a escutar o coração do Mestre antes de tentar entendê-lo com a cabeça. Desde o início, ele nos ensina que a fé nasce mais do encontro do que da explicação, mais da convivência do que do discurso.
Além disso, João revela uma forma única de seguir Jesus, marcada pela permanência. Enquanto muitos se aproximam por interesse ou entusiasmo momentâneo, João permanece. Ele permanece quando o entusiasmo diminui, quando a cruz se aproxima, quando o medo aperta. No momento mais duro, ele não foge. Ele fica ao pé da cruz. Ali, ele aprende que amar de verdade significa ficar quando tudo convida a ir embora.
Por isso, o Evangelho que João escreve não corre. Ele caminha e não grita, mas aprofunda. Cada palavra nasce de alguém que viu, tocou e guardou. Quando João diz que o Verbo se fez carne, ele não apresenta uma ideia bonita, mas testemunha uma experiência que mudou sua vida. Ele anuncia um Deus que entra na história, que assume a fragilidade humana e que transforma o amor em carne viva.

Amor praticado
Ao mesmo tempo, João nos mostra que intimidade com Jesus não gera privilégio, mas responsabilidade. Quanto mais ele conhece o Mestre, mais ele aprende a amar como Ele ama. João não usa o amor como sentimento vago. Ele pratica o amor como decisão concreta. Ele insiste que quem ama conhece a Deus e quem não ama ainda não O encontrou de verdade. Dessa forma, ele nos provoca a revisar nossa fé, perguntando se ela se expressa em gestos reais ou apenas em palavras corretas.
Assim, a figura de João nos convida a uma fé que nasce do silêncio interior. Ele aprende a escutar antes de falar. João aprende a contemplar antes de agir, e a esperar o tempo de Deus sem forçar respostas. Em um mundo acelerado e barulhento, João nos lembra que Deus fala com clareza a quem cria espaço no coração. O discípulo amado não se destaca por fazer muito, mas por amar profundamente.
Por fim, ao celebrarmos São João, somos chamados a caminhar pelo mesmo caminho da intimidade com Cristo. Ele nos ensina que seguir Jesus não significa apenas conhecer doutrinas, mas construir uma relação viva e fiel. Ele nos mostra que a verdadeira maturidade espiritual nasce quando o amor se torna critério das escolhas, das palavras e das atitudes. Que São João nos ajude a repousar nossa vida no coração de Cristo e, a partir daí, anunciar com a própria existência que Deus é amor.

