Homilia diária — Missa de sábado, 10/01/26 — Jo 3,22-30

Homilia diária — Missa de sábado, 10/01/26 — Jo 3,22-30

Homilia diária — Missa de sábado, 10/01/26Jo 3,22-30

O Evangelho nos coloca diante de uma cena simples, mas profundamente reveladora. Jesus começa a atrair multidões, enquanto João Batista vê seus próprios discípulos inquietos, quase incomodados com o sucesso do outro. Nesse contexto, surge uma tensão muito humana, pois quando alguém cresce, outro parece perder espaço. No entanto, João não reage com ciúme nem com disputa. Ao contrário, ele oferece uma das respostas mais maduras e espirituais de toda a Escritura.

Em seguida, João afirma algo decisivo para a vida cristã. Ele reconhece que ninguém pode receber coisa alguma se não lhe for dada do céu. Com isso, João desloca o centro da cena. Ele tira os olhos de si e os fixa em Deus. Tudo vem do alto. Toda missão nasce de um chamado. Todo fruto verdadeiro brota da vontade divina, não do esforço humano isolado. Assim, João nos ensina que se comparar aos outros sempre gera inquietação, enquanto confiar em Deus produz paz.

Além disso, João recorda quem ele realmente é. Ele não se apresenta como Messias, nem como salvador, nem como protagonista. Ele se define como aquele enviado à frente. Aqui aparece uma imagem belíssima. João se compara ao amigo do noivo. Esse amigo não disputa a atenção da noiva. Pelo contrário, ele se alegra ao ouvir a voz do noivo. A alegria dele não está em aparecer, mas em cumprir sua missão com fidelidade.

Logo depois, João revela o coração da sua espiritualidade. Ele diz com serenidade e firmeza necessário que Jesus cresça e que ele diminua. Essa frase não expressa derrota, mas liberdade. João não perde espaço. Ele encontra sentido, não desaparece e se realiza. Quando João diminui, ele não se anula. Ele se coloca no lugar certo. E esse lugar certo produz alegria completa.

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A verdadeira fé não busca holofotes

Portanto, esse Evangelho nos provoca diretamente. Quantas vezes queremos que Deus cresça, mas sem que nós diminuamos? Quantas vezes desejamos que Cristo apareça, mas sem sair do centro? João nos mostra que a verdadeira fé não busca holofotes. Ela busca coerência. Ela entende que a vida cristã não gira em torno do nosso nome, da nossa imagem ou do nosso controle. Tudo gira em torno de Cristo.

Por fim, esse texto nos convida a uma conversão silenciosa e profunda. Diminuir não significa desaparecer do mundo. Diminuir significa retirar o ego do trono. Crescer em Cristo exige humildade concreta, desapego real e confiança diária. Quando Cristo cresce em nós, nossas palavras se tornam mais verdadeiras, nossas escolhas mais limpas e nossa alegria mais estável. João Batista nos ensina que a maturidade espiritual nasce quando deixamos de competir com Deus e começamos a colaborar com Ele.

Que hoje cada um de nós tenha a coragem de repetir essa oração com a vida. Senhor, cresce em mim. E, se for preciso, diminui tudo aquilo que ainda ocupa o teu lugar. Amém.