Homilia diária — Missa de sábado, 03/01/26 — Jo 1,29-34
Homilia diária — Missa de sábado, 03/01/26 — Jo 1,29-34
o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma cena simples e, ao mesmo tempo, decisiva. João Batista vê Jesus aproximar-se e não faz rodeios. Ele aponta, ele proclama, ele entrega o centro da cena. Ao dizer “Eis o Cordeiro de Deus”, João não fala apenas de Jesus, mas revela o sentido profundo da história da salvação. Ali, diante dos olhos de todos, aparece Aquele que carrega o peso do mundo, não com violência, mas com mansidão.
Em seguida, precisamos entender o peso dessa imagem. O cordeiro não domina, não impõe, não ameaça. O cordeiro se oferece. Desde o início da fé de Israel, o cordeiro está ligado ao sacrifício, à libertação, à vida que se entrega para que outra vida continue. Assim, quando João chama Jesus de Cordeiro de Deus, ele anuncia que o mal não será vencido pela força, mas pelo amor levado até o fim. Deus não responde ao pecado com destruição, mas com entrega.
Além disso, João reconhece algo ainda mais profundo. Ele afirma que Jesus existia antes dele. Com isso, ele não fala apenas de tempo, mas de origem. João aponta para o mistério do Filho eterno, aquele que vem do Pai e que entra na história sem perder sua divindade. Jesus não surge como mais um profeta, mas como aquele que estava junto de Deus desde sempre e que agora se deixa ver, tocar e ouvir.
Ao mesmo tempo, João confessa sua própria pequenez. Ele não se coloca no centro. Ele não disputa espaço e aceita desaparecer para que Cristo apareça. Essa atitude revela uma espiritualidade madura, pois quem encontra Jesus de verdade não precisa mais provar nada. O coração que reconhece o Cordeiro aprende a humildade, aprende a servir, aprende a sair de cena sem ressentimento.

O Espírito não passa
Depois disso, o Evangelho nos leva ao sinal do Espírito. João testemunha que viu o Espírito descer como pomba e permanecer sobre Jesus. Aqui não se trata de um detalhe poético, mas de uma revelação decisiva. O Espírito não passa, não toca e vai embora. Ele permanece. Isso mostra que Jesus age sempre em plena comunhão com o Pai, movido pelo Espírito, conduzido pelo amor. Tudo o que Ele faz nasce dessa unidade profunda.
Nesse ponto, a Palavra toca diretamente nossa vida. Muitas vezes buscamos Deus apenas em momentos rápidos, em emoções passageiras ou em pedidos urgentes. No entanto, o Evangelho mostra que a verdadeira vida espiritual pede permanência. Assim como o Espírito permanece sobre Jesus, também nós precisamos aprender a permanecer em Deus, mesmo quando não sentimos nada, mesmo quando o caminho parece lento ou silencioso.
Por fim, João conclui com um testemunho claro. Ele diz sem hesitar que Jesus é o Filho de Deus. Essa afirmação não nasce de um estudo teórico, mas de uma experiência vivida. João viu, ouviu e reconheceu. Aqui está o convite que o Evangelho nos faz hoje. Não basta ouvir falar de Jesus. Cada um de nós precisa vê-lo com os olhos da fé, reconhecê-lo no cotidiano e confessá-lo com a própria vida.
Portanto, ao escutar este Evangelho, somos chamados a uma decisão interior. Ou ficamos apenas observando Jesus passar, ou permitimos que Ele tire o pecado do nosso mundo interior. O Cordeiro continua passando diante de nós, silencioso e manso. Cabe a nós apontar para Ele com a vida e dizer, sem medo e sem reservas: Eis aquele em quem colocamos nossa esperança.

