Homilia diária — Missa de domingo, 04/01/26 — Epifania do Senhor

Homilia diária — Missa de domingo, 04/01/26 — Epifania do Senhor

Homilia diária — Missa de domingo, 04/01/26Epifania do Senhor

Queridos irmãos e irmãs, hoje a Igreja celebra a Epifania do Senhor, e desde o início esta solenidade nos coloca diante de um mistério que se revela aos poucos, como luz que rompe a madrugada. Não é um evento escondido nem reservado a poucos. Pelo contrário, Deus se manifesta para todos, e o faz de um modo surpreendente, simples e, ao mesmo tempo, profundo. Assim, já no começo, percebemos que a Epifania não fala apenas do passado, mas toca diretamente a nossa vida de hoje.

Antes de tudo, olhemos para os Magos. Eles vêm de longe, guiados por uma estrela, carregando perguntas no coração e esperança nos passos. Eles não pertencem ao povo eleito, não conhecem a Lei, não frequentam o Templo. Ainda assim, Deus os alcança. Com isso, o Evangelho nos ensina que a graça não se limita a fronteiras, culturas ou tradições. Deus se deixa encontrar por quem O busca com sinceridade, mesmo quando essa busca ainda é confusa e cheia de desvios.

Em seguida, chama atenção o contraste. Enquanto os Magos caminham, Herodes se agita, Jerusalém se perturba e os doutores da Lei permanecem imóveis. Aqui, a Epifania revela um paradoxo doloroso. Alguns sabem onde o Messias deve nascer, mas não se movem. Outros não sabem tudo, mas se levantam e caminham. Desse modo, o texto nos provoca a perguntar se nossa fé nos coloca em movimento ou se nos mantém apenas no conforto do saber religioso.

Epifania do Senhor

O coração do cristianismo

Além disso, quando os Magos chegam, não encontram um palácio, nem sinais de poder humano. Eles encontram uma criança, uma mãe, uma casa simples. Mesmo assim, ajoelham-se. Nesse gesto, a Epifania mostra o coração do cristianismo. Deus se revela na humildade. Ele não impõe, não deslumbra pela força, mas atrai pelo amor. Quem busca um Deus grandioso segundo os critérios do mundo se frustra. Quem aceita um Deus pequeno descobre a verdadeira grandeza.

Logo depois, os presentes falam sem palavras. O ouro reconhece a realeza de Cristo. O incenso confessa sua divindade. A mirra antecipa sua paixão. Dessa forma, a Epifania já aponta para a cruz. O menino adorado é o mesmo que um dia será rejeitado. A luz que brilha no presépio projeta a sombra da entrega total. Deus não se revela pela metade. Ele se mostra inteiro, inclusive no sofrimento que salva.

Epifania do Senhor

Que caminho escolhemos seguir?

Por isso, a Epifania também nos interpela pessoalmente. A estrela continua a brilhar, mas agora ela passa pela nossa consciência, pela Palavra, pelos sinais do dia a dia. A pergunta é direta e inevitável: que caminho escolhemos seguir? O de Herodes, marcado pelo medo de perder poder? O dos escribas, presos ao saber sem conversão? Ou o dos Magos, dispostos a mudar de rota depois do encontro com Cristo?

Por fim, o Evangelho diz que eles voltaram por outro caminho. Isso não é detalhe. Quem encontra Cristo não retorna do mesmo jeito. A Epifania não termina na adoração, ela se completa na transformação. Ver o Senhor muda a direção da vida, redefine escolhas e rearruma prioridades. Quando Deus se manifesta, Ele não apenas se mostra, Ele nos chama a ser luz também.

Assim, nesta solenidade, peçamos a graça de não apenas reconhecer a estrela, mas de segui-la. Peçamos coragem para sair, humildade para ajoelhar e liberdade para voltar diferentes. Porque a Epifania do Senhor só se cumpre plenamente quando Cristo se manifesta não apenas diante de nós, mas dentro de nós, iluminando cada passo do nosso caminho. Amém.