Homilia diária — Missa de domingo, 01/02/26 — Mt 5,1-12a

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Meus irmãos, ao escutarmos o Evangelho das Bem-aventuranças, somos conduzidos a um monte diferente. Antes de tudo, não é um monte de fuga, mas de revelação. Ali, Jesus se senta como mestre e fala com autoridade serena. Não grita. Não impõe. Ele propõe um caminho que vira o mundo de cabeça para baixo e, ao mesmo tempo, coloca o coração no lugar certo.

Primeiramente, chama a atenção o público que Jesus tem diante de si. Ele não fala apenas aos Doze, mas às multidões e, de modo especial, aos discípulos. Isso mostra que as Bem-aventuranças não são poesia para poucos, nem consolo barato para quem sofre. Elas formam o retrato do discípulo verdadeiro, aquele que decide viver segundo o coração de Deus, mesmo quando isso custa caro.

Em seguida, Jesus começa dizendo: “Bem-aventurados os pobres em espírito”. Aqui, Ele não elogia a miséria, nem romantiza a falta. Pelo contrário, Jesus revela uma liberdade interior. O pobre em espírito não se apoia em si, não faz do dinheiro, do poder ou da própria imagem o seu chão. O pobre em espírito confia. Ele depende e sabe que precisa de Deus. Por isso, o Reino já começa dentro dele.

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O choro por justiça

Logo depois, Jesus fala dos que choram. Não se trata de um choro qualquer, mas do choro de quem sente o peso do mundo, do pecado, da injustiça, da dor alheia. Esse choro não endurece o coração, mas o torna sensível. Quem chora assim aprende a consolar, porque primeiro deixou Deus consolar a própria alma.

Na sequência, aparecem os mansos. O mundo costuma confundir mansidão com fraqueza, mas Jesus mostra outra coisa. O manso não reage com violência porque já venceu a guerra por dentro. Ele domina o próprio coração. Ele não precisa esmagar ninguém para existir. Por isso, herda a terra, não pela força, mas pela fidelidade.

Depois disso, Jesus fala da fome e da sede de justiça. Aqui, Ele toca num desejo profundo. Não é a justiça da vingança, nem do orgulho ferido. Trata-se da justiça que nasce do amor à verdade, do desejo sincero de ver o bem vencer. Quem tem essa fome não se acomoda, não se vende, não se cala diante do erro. E Deus não frustra esse desejo, porque promete saciar quem O busca com sinceridade.

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Viver os valores do Reino

Mais adiante, Jesus proclama felizes os misericordiosos. Nesse ponto, o Evangelho entra diretamente na nossa vida prática. Misericórdia não é sentimento bonito, é decisão diária. Quem escolhe perdoar, recomeçar e acolher experimenta algo impressionante: quanto mais misericórdia oferece, mais misericórdia recebe. Deus mede com a mesma medida que usamos.

Em continuidade, Jesus fala dos puros de coração. Ele não se refere apenas à pureza exterior, mas à inteireza interior. O coração puro não vive dividido, não joga em dois times, não usa máscaras. Ele olha com simplicidade, ama sem segundas intenções e, justamente por isso, consegue ver Deus agindo onde outros só enxergam confusão.

Logo depois, Jesus chama felizes os que promovem a paz. Ele não diz “os que gostam de paz”, mas os que a constroem. Construir paz exige esforço, diálogo, renúncia do orgulho e coragem para dar o primeiro passo. Quem vive assim se parece tanto com Deus que recebe o nome de filho.

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Onde meu coração resiste?

Por fim, Jesus fala da perseguição. Aqui, Ele fecha o retrato do discípulo. Seguir o Evangelho não garante aplausos. Muitas vezes, garante incompreensão. Ainda assim, Jesus afirma que existe felicidade também aí, porque quem permanece fiel, mesmo sob pressão, já vive ligado ao Reino que ninguém pode tirar.

Portanto, ao ouvir as Bem-aventuranças, cada um de nós precisa se perguntar com honestidade: em qual delas minha vida se encaixa de verdade? Onde meu coração ainda resiste? O Evangelho de hoje não serve para enfeitar quadros ou abrir discursos bonitos. Ele serve para nos converter.

Assim, se deixarmos essas palavras entrarem fundo, elas não vão apenas nos consolar. Elas vão nos transformar. E, pouco a pouco, sem barulho, o mundo começará a mudar, porque Deus sempre começa Sua obra no coração de quem aceita viver do jeito que Jesus ensinou.