Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 23/01/26 — Mc 3,13-19

Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 23/01/26 — Mc 3,13-19
Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho de hoje nos coloca diante de uma cena decisiva. Jesus sobe ao monte. Não sobe por acaso. Na Bíblia, o monte sempre aponta para encontro, decisão, revelação.
Portanto, quando Jesus sobe, Ele se afasta do barulho para escutar o coração do Pai. Em seguida, desse lugar alto, Ele chama. E chama do jeito d’Ele. Não chama os mais preparados, nem os mais santos, nem os mais equilibrados. O texto é claro e desconcertante: Ele chamou os que Ele quis.
Em seguida, vale notar algo importante. Jesus não pede candidatura, não faz seleção pública, não aplica teste. Ao contrário, Ele chama por autoridade e por amor. Isso nos ensina que vocação não nasce do mérito, mas da graça. Deus não escolhe porque somos bons. Ele escolhe para nos tornar bons. Essa verdade desmonta nosso orgulho e, ao mesmo tempo, sustenta nossa esperança. Se Ele chama, Ele também sustenta.
Depois disso, o Evangelho revela o motivo do chamado. Jesus designa os Doze para três coisas muito claras: para que ficassem com Ele, para enviá-los a pregar e para expulsar os demônios.
Primeiro estar com Ele, depois ir em nome d’Ele, e só então enfrentar o mal. Aqui existe uma ordem que não pode ser invertida. Quem não permanece com Cristo não suporta a missão. Do mesmo modo, quem não escuta o Mestre não tem autoridade. E se não reza não vence batalha alguma.


O chamado
O texto mostra que Jesus chama pessoas concretas, com histórias reais e limites evidentes. Ele chama Pedro, instável, mas apaixonado. Ele chama Tiago e João, impulsivos, filhos do trovão. Jesus chama Mateus, marcado pelo pecado público e chama Judas, que depois o trairá. Isso revela algo profundo e até desconfortável: Jesus conhece o coração de cada um e, mesmo assim, chama. O Senhor não idealiza seus discípulos. Ele aposta neles.
Portanto, não se trata de um grupo perfeito, mas de um grupo reunido em torno d’Ele. A unidade não nasce da semelhança, mas da presença de Jesus no centro. Quando Cristo ocupa o lugar certo, até os diferentes caminham juntos. Sem Ele, até os melhores se dividem. Com Ele, até os fracos permanecem.

O Reino
Além disso, o número doze não aparece por acaso. Jesus refaz o povo de Deus. Assim como houve doze tribos, agora há doze apóstolos. Ele inaugura algo novo sem romper com a promessa antiga. O Reino cresce como continuidade e cumprimento. Jesus não destrói, Ele reconstrói a partir de dentro.
Por fim, esse Evangelho nos provoca pessoalmente. Jesus continua subindo ao monte. Ele continua chamando. Ele continua escolhendo. A pergunta não é se Ele chama, mas se nós respondemos. Muitos escutam o chamado, poucos permanecem. Alguns até começam, mas se afastam quando o custo aparece. No entanto, quem aceita ficar com Ele descobre que a missão pesa menos quando o amor sustenta.
Por isso, hoje, cada um de nós precisa se perguntar com honestidade: eu estou apenas perto de Jesus ou estou com Jesus? Eu faço coisas para Ele ou caminho com Ele? Eu aceitei o chamado ou apenas admiro de longe? O Evangelho não nos deixa neutros. Ele nos chama pelo nome.
Que possamos responder como discípulos de verdade. Que aceitemos subir o monte, deixar o que nos prende e permanecer com Ele. Porque só quem fica com Cristo aprende a falar em nome d’Ele. Só quem caminha com Cristo vence o mal. E só quem se deixa escolher descobre que a vida encontra sentido quando se transforma em missão. Amém.
