Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 16/01/26 — Mc 2,1-12

Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 16/01/26 — Mc 2,1-12

Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 16/01/26Mc 2,1-12

Irmãos e irmãs, hoje contemplamos a cena em Cafarnaum onde um paralítico, trazido pelos amigos, encontra em Jesus não só cura corporal, mas a palavra que reconcilia: “Filho, os teus pecados te são perdoados.”

Ao ver a fé destes homens que rompem telhados e chegam até ao Senhor, reconhecemos que o caminho da cura passa pela intermediação corajosa da comunidade. A presença da família e dos companheiros que carregam o enfermo revela que a salvação se vive em corpo e em rede, e não como projeto exclusivamente individual.

Em seguida, atentemos ao núcleo teológico do episódio: Jesus declara perdão e, então, comprova sua autoridade curando o corpo.

A ordem narrativa não é casual, ela manifesta a primazia da reconciliação espiritual e revela o Cristo como Médico da alma e da carne. Para os Padres antigos, o gesto confirma que a Palavra que perdoa tem eficácia criadora; a remissão não é só uma sentença teórica, é poder que restaura a pessoa inteira. Assim, a cura física torna-se sacramento visível da graça invisível.

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O milagre não anula a responsabilidade moral

Além disso, a reação dos escribas — que atribuem blasfêmia à afirmação do perdão — expõe a tensão entre autoridade divina e procedimentos religiosos. Jesus responde convocando o discernimento: ele opera sinais precisamente para que a fé reconheça a presença do Reino.

Portanto, o milagre não anula a responsabilidade moral nem relativiza a lei; ao contrário, reorienta-a, porque a verdadeira observância da Lei passa pela misericórdia que liberta do pecado e reabilita o vínculo social.

Consequentemente, que implicações práticas nos traz este relato? Primeiro, cultivemos uma fé que não se acomode na contemplação, mas que arrisca, que leva o irmão à presença do Senhor; a caridade ativa dos amigos foi causa instrumental do milagre. Segundo, valorizemos os sacramentos e a reconciliação: muitas feridas exigem uma palavra de perdão que só a graça torna possível. Terceiro, formemos comunidades que facilitem o encontro com Cristo, abrindo “telhados” onde a distância ou a vergonha impedem o acesso ao sacramento da cura.

Por fim, lembremo-nos de que Jesus veio para restaurar a condição humana em profundidade. Se hoje nos falta coragem para aproximar quem sofre ou para pedir perdão, peçamos ao Espírito a graça de mover redes e telhados, de construir pontes de humildade e de compaixão. Ao fazê-lo, veremos novamente Jesus dizer ao nosso corpo e à nossa alma: “Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa,” e então glorificaremos a Deus pela graça que nos cura e nos reconcilia. Amém.