Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 09/01/26 — Lc 5,12-16

Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 09/01/26 — Lc 5,12-16

Homilia diária — Missa de 6ª-feira, 09/01/26Lc 5,12-16

Hoje o Evangelho nos coloca diante de uma cena forte e desconfortável. Jesus encontra um leproso. Não um doente qualquer, mas alguém excluído, afastado, condenado ao isolamento. Além disso, a lepra não feria apenas o corpo, mas também a dignidade, a fé e o lugar da pessoa na comunidade. Por isso, quando aquele homem se aproxima, ele não pede explicações, não faz discursos longos, não negocia. Ele se ajoelha e diz algo simples e profundo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”.

Em seguida, aparece o primeiro grande movimento de Deus. Jesus não foge nem se protege. Ele não se afasta para manter regras religiosas intactas. Pelo contrário, Ele estende a mão e toca o leproso. Aqui está o escândalo do Evangelho. O toque de Jesus atravessa o medo, rompe o preconceito e vence a impureza. Onde todos viam contaminação, Jesus leva cura. Onde a lei mandava distância, o amor cria proximidade. Assim, fica claro que a santidade de Deus não se perde ao tocar a miséria humana, mas transforma tudo o que toca.

Logo depois, Jesus diz algo que precisa ser ouvido com atenção: “Eu quero, fica purificado”. Não há dúvida, não há hesitação, não há cálculo. A vontade de Deus se revela como vontade de cura, de restauração e de vida nova. Esse detalhe muda completamente nossa imagem de Deus. Muitas vezes pensamos que Deus cura apenas quando insistimos muito ou quando merecemos. Entretanto, o Evangelho mostra que Deus quer antes mesmo que a gente peça, e deseja salvar antes mesmo que a gente entenda.

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Jesus escolhe o silêncio

Em seguida, Jesus pede silêncio ao homem curado e o envia ao sacerdote. Aqui, o Evangelho nos ensina algo essencial. Jesus não busca fama, não transforma milagres em espetáculo e não usa a dor alheia para autopromoção. Além disso, Ele respeita o caminho da comunidade e a lei que reintegra o doente à vida social. A cura não termina no corpo. A cura precisa alcançar a relação com Deus, com os outros e consigo mesmo.

No entanto, apesar do pedido de silêncio, a fama de Jesus cresce. As multidões se aproximam, os doentes se aglomeram e as expectativas aumentam. Nesse ponto, surge um detalhe precioso que não pode passar despercebido. Jesus se retira para lugares solitários e se entrega à oração.

Enquanto muitos pensariam que o sucesso pede mais atividade, Jesus escolhe o silêncio. Enquanto o povo corre atrás de soluções rápidas, Jesus volta ao Pai. Aqui aprendemos que a fonte da ação de Cristo não está na multidão, mas na intimidade com Deus.

Por isso, esse Evangelho nos provoca de forma direta. Onde estão hoje nossas lepras interiores? Carregamos feridas que escondemos por vergonha, medo ou culpa? Além disso, será que acreditamos de verdade que Jesus quer nos tocar, ou ainda achamos que Ele prefere manter distância de nossas fraquezas?

O leproso não pede explicações e não exige garantias, ele se abandona e confia. Essa atitude revela uma fé que não discute, mas entrega.

Tocar as feridas

Por fim, o Evangelho nos convida a mudar o olhar sobre Deus e sobre nós mesmos. Jesus não se afasta do impuro, mas se aproxima. Ele não condena o ferido, mas o restaura. O Senhor não se alimenta do aplauso, mas da oração. Se permitirmos que Ele nos toque, nossa vida também mudará de rumo. E se aprendermos com Ele a tocar as feridas dos outros, o mundo começará a experimentar a mesma cura.

Que hoje possamos repetir, com humildade e confiança, a oração daquele homem: “Senhor, se queres…”. E que, ao escutar a resposta de Jesus, tenhamos coragem de viver como quem foi verdadeiramente tocado por Deus. Amém.