Homilia diária — Missa de 5ª-feira, 08/01/26 — Lc 4,14-22a

Homilia diária — Missa de 5ª-feira, 08/01/26 — Lc 4,14-22a

Homilia diária — Missa de 5ª-feira, 08/01/26Lc 4,14-22a

O Evangelho nos leva de volta a Nazaré, lugar simples, conhecido, quase banal aos olhos humanos. Ali Jesus retorna cheio da força do Espírito, não como alguém em busca de aplausos, mas como quem carrega uma missão ardendo no peito. Ele entra na sinagoga, toma o livro, lê, e o silêncio pesa. Não é um silêncio vazio. É um silêncio grávido de sentido. Algo novo está para acontecer.

Em seguida, Jesus proclama palavras antigas, palavras de Isaías, mas agora cheias de carne e osso. Ele fala de pobres, de cativos, de cegos, de oprimidos. Não descreve ideias. Ele descreve pessoas, descreve histórias reais. Com isso, Jesus revela o coração de Deus, um coração que se inclina, que desce, que se aproxima de quem sofre. O Reino não começa no alto dos palácios, começa nas feridas do povo.

Logo depois, Jesus fecha o livro e se senta. Esse gesto não é comum. O leitor normalmente ficava em pé. Ao sentar-se, Ele assume a posição de quem ensina com autoridade. Todos o olham. Todos esperam. Então vem a frase que corta o tempo como um trovão manso: Hoje se cumpriu esta Escritura. Não amanhã. Não no fim dos tempos. Hoje. Aqui. Agora.

Nesse ponto, o Evangelho nos provoca profundamente. Jesus não diz que a promessa vai se cumprir, Ele afirma que já se cumpre n’Ele. Isso muda tudo. Deus não fala mais apenas por profetas. Deus fala por um rosto, por uma voz, por uma vida entregue. A Palavra deixou de ser apenas som. A Palavra agora caminha pelas ruas, toca os doentes, senta à mesa com pecadores.

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Hoje se cumpre esta Escritura

Por isso, o centro desse texto não está apenas no que Jesus lê, mas em quem Ele é. Ele não anuncia um programa social qualquer. Jesus revela sua identidade e se apresenta como aquele que traz libertação inteira, não só do corpo, mas da alma. Onde Ele passa, a esperança acorda, e onde Ele fala, o medo perde força. Quando Ele chega, o Reino começa.

Ao mesmo tempo, o Evangelho nos obriga a olhar para nós mesmos. Nazaré conhecia Jesus desde pequeno. Viu-o crescer. Sabia seu nome. Mesmo assim, não o reconheceu plenamente. Aqui nasce um alerta silencioso. A familiaridade pode cegar. Podemos frequentar a igreja, ouvir a Palavra, repetir orações e ainda assim não perceber que Deus está agindo diante de nós.

Portanto, Jesus hoje repete a mesma frase para cada um de nós. Hoje se cumpre esta Escritura na tua vida. Hoje Deus quer libertar o que está preso, abrir os olhos que se fecharam pela dor. Ele quer devolver dignidade a quem se sente esquecido. Contudo, essa Palavra só se cumpre onde encontra espaço, acolhida e fé.

Por fim, o Evangelho nos deixa uma escolha clara. Podemos apenas admirar Jesus, como fizeram muitos na sinagoga, ou podemos deixar que Ele transforme nossa história. Podemos aplaudir suas palavras ou permitir que elas nos desinstalem. O hoje de Deus continua ecoando. Cabe a nós decidirmos se esse hoje vai passar ou se vai se tornar salvação.