Homilia diária — Missa de 5ª-feira, 01/01/26 — Santa Maria, Mãe de Deus
Homilia diária — Missa de 5ª-feira, 01/01/26 — Santa Maria, Mãe de Deus
Meus irmãos e minhas irmãs, hoje a Igreja nos convida, antes de tudo, a contemplar um mistério que não cabe inteiro nas palavras, mas que sustenta toda a nossa fé. Maria é Mãe de Deus. Portanto, quando pronunciamos esse título, não exaltamos apenas Maria, mas confessamos quem é Jesus. Ao dizer Mãe de Deus, a Igreja proclama que o Filho que ela gerou é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem divisão, sem confusão, sem meio-termo.
Além disso, esse mistério nos leva diretamente ao coração da encarnação. Deus não entrou na história como ideia, teoria ou força invisível. Pelo contrário, Ele entrou pelo corpo, pelo tempo, pela carne, pelo ventre de uma mulher. Maria não gerou uma aparência de Deus, nem um profeta qualquer. Ela gerou o próprio Filho eterno do Pai, que aceitou depender dela, aprender com ela, ser embalado por ela. E aqui já aparece algo que desmonta o nosso orgulho, porque Deus escolheu o caminho da pequenez.
Por isso, quando chamamos Maria de Mãe de Deus, afirmamos que Deus confiou totalmente nela. Ele não ficou distante, não ficou no controle aparente, não se protegeu. Ao contrário, Ele se colocou nas mãos de Maria, no silêncio de Nazaré, na rotina simples de uma casa comum. E, desse modo, Deus nos ensina que a salvação não nasce do barulho, mas da obediência, não vem da pressa, mas da escuta atenta.
Maria não compreendeu tudo de uma vez. Ela caminhou na fé. Ela guardou as coisas no coração, ruminou os acontecimentos, atravessou a alegria e a dor sem abandonar a confiança. Quando segurou o Menino nos braços, ela não segurou apenas um filho, mas o Mistério. E mesmo sem entender tudo, ela disse sim. Esse, sim, sustentou o céu e a terra.

Maria se torna modelo para nós
Por conseguinte, Maria se torna modelo para nós. Ela não fala muito, mas vive profundamente, e não se coloca no centro, mas aponta sempre para o Filho. Maria não exige explicações, mas confia. E, assim, nos ensina que a verdadeira fé não nasce da segurança humana, mas da entrega. Quem aprende com Maria descobre que seguir Deus não significa entender tudo, mas caminhar mesmo quando o caminho parece escuro.
Ao mesmo tempo, Maria como Mãe de Deus também se torna nossa Mãe. Porque, se Cristo é a Cabeça e nós somos o Corpo, a maternidade de Maria se estende a todos nós. Ela não cuida apenas do Filho perfeito, mas cuida também dos filhos feridos, confusos, cansados. Ela não abandona quando erramos, mas permanece quando o coração vacila. E isso consola profundamente, porque sabemos que não caminhamos sozinhos.
Por fim, celebrar Santa Maria, Mãe de Deus, nos obriga a olhar para a nossa própria vida. Se Deus quis morar no ventre de Maria, Ele também deseja morar em nós. Se Maria gerou Cristo para o mundo, nós somos chamados a levá-lo aos outros com nossas palavras, gestos e escolhas. Cada vez que acolhemos a vontade de Deus, algo de Cristo nasce novamente no mundo.
Portanto, hoje não celebramos apenas um título bonito. Celebramos um mistério vivo. Celebramos um Deus que se fez pequeno e uma mulher que confiou sem reservas. Que Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, nos ensine a guardar Cristo no coração, a oferecê-lo ao mundo e a viver uma fé simples, firme e verdadeira. Amém.

