Homilia diária — Missa de 4ª-feira, 17/12/25 — Mt 1,1-17
Homilia diária — Missa de 4ª-feira, 17/12/25 — Mt 1,1-17
Primeiramente, ao ouvirmos a genealogia de Jesus, muitos pensam que se trata apenas de uma lista de nomes antigos. Contudo, o Evangelho nunca desperdiça palavras. Cada nome carrega uma história, cada geração guarda uma promessa, e cada detalhe aponta para a fidelidade de Deus. Mateus começa dizendo quem Jesus é antes mesmo de contar o que Ele faz. Jesus não surge do nada. Ele entra na história. Ele assume a nossa história.
Em seguida, Mateus afirma com força: Jesus é filho de Davi. Aqui não se trata apenas de biologia, mas de promessa cumprida. Deus prometeu um rei cujo trono jamais acabaria. Séculos passaram, reis falharam, o povo caiu, levantou e caiu de novo. Mesmo assim, Deus não voltou atrás. Ele conduziu a história passo a passo, às vezes em silêncio, até que o Messias chegasse. Assim, a genealogia proclama que Deus nunca perde o controle, mesmo quando tudo parece fora do lugar.
Depois disso, algo surpreende. Mateus não esconde as falhas da família de Jesus. Ele cita reis injustos, homens fracos, escolhas erradas. Além disso, ele menciona mulheres marcadas por dor, escândalo ou exclusão. Isso não acontece por acaso. Deus não escolhe uma linhagem perfeita. Ele escolhe uma linhagem real. Com pecados, rupturas e feridas. Dessa forma, o Evangelho nos mostra que a graça não nasce da perfeição, mas da misericórdia.

Desapego
Logo adiante, percebemos que essa genealogia caminha como uma estrada longa. Algumas gerações avançam na fidelidade. Outras se perdem no orgulho. Mesmo assim, Deus segue adiante. Ele escreve certo em linhas tortas e transforma fracasso em caminho. Ele não apaga o passado, mas o redime. Assim, a história de Jesus se mistura com a história de todo ser humano.
Além disso, a genealogia revela algo essencial. Deus trabalha no tempo. Ele não tem pressa. Ele respeita processos. Enquanto o mundo exige resultados imediatos, Deus constrói salvação com paciência. Cada geração prepara a seguinte. Cada espera amadurece a promessa. Dessa maneira, aprendemos que a fé não vive de atalhos. Ela cresce no cotidiano, no escondido, no aparentemente insignificante.
Por fim, ao chegarmos a Jesus, entendemos tudo. Jesus assume essa história para curá-la por dentro. Ele carrega em Si reis e pecadores, santos e fracos, glórias e quedas. Jesus não se envergonha da nossa humanidade. Pelo contrário, Ele a abraça. Assim, a genealogia deixa de ser passado e se torna espelho. Ela nos pergunta se confiamos que Deus também age na nossa história, mesmo com limites, erros e recomeços.
Portanto, hoje o Evangelho nos convida a olhar nossa própria vida com novos olhos. Deus não desistiu da história humana. Ele não desistiu da sua história. Mesmo quando você enxerga confusão, Ele enxerga promessa. Mesmo quando você vê falha, Ele vê caminho. Assim como conduziu a genealogia até Cristo, Ele também conduz cada um de nós até a salvação. Amém.

