Homilia diária — Missa de 4ª-feira, 14/01/26 — Mc 1,29-39

Homilia diária — Missa de 4ª-feira, 14/01/26 — Mc 1,29-39

Homilia diária — Missa de 4ª-feira, 14/01/26Mc 1,29-39

O Evangelho nos conduz para uma casa simples, logo após a sinagoga. Jesus não fica apenas no espaço do culto, mas entra na vida cotidiana, atravessa a porta da casa de Pedro e toca a realidade concreta da dor. Ali, uma mulher está deitada, consumida pela febre, símbolo de tudo aquilo que paralisa, cansa e rouba a alegria de viver. Então Jesus se aproxima, segura a mão dela e a levanta. Ele não faz discurso, não negocia, não adia, apenas age e a febre vai embora.

Em seguida, algo decisivo acontece. A mulher curada não fica parada admirando o milagre. Ela se levanta e começa a servir. Aqui o Evangelho fala forte. Quem encontra Jesus não se torna centro das atenções, mas passa a servir. A cura não termina no corpo, ela alcança o sentido da vida. Servir não aparece como obrigação pesada, mas como resposta natural de quem voltou a viver por inteiro. Onde Jesus passa, a vida se levanta e encontra direção.

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Cristo incansável

Depois disso, ao cair da tarde, a cidade inteira se reúne à porta da casa. Doentes chegam, feridos chegam, pessoas confusas chegam. Todos procuram Jesus. Ele acolhe, cura, liberta.

O texto mostra um Cristo incansável, atento, disponível. No entanto, Ele não se deixa engolir pelo sucesso nem pelo aplauso. Mesmo cercado por necessidades, Ele não perde o centro. Aqui o Evangelho ensina que fazer o bem não significa viver no ativismo vazio.

Por isso, logo depois, ainda de madrugada, Jesus se levanta e vai rezar num lugar deserto. O silêncio precede a missão. A oração sustenta a ação. Ele não busca forças no barulho da multidão, mas na intimidade com o Pai.

Enquanto muitos ainda dormem, Jesus já escuta, discerne e entrega o dia nas mãos de Deus. Assim, Ele mostra que a verdadeira autoridade nasce da comunhão, não da pressa.

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O Evangelho quebra nossa lógica

Entretanto, os discípulos não entendem logo esse movimento. Eles correm atrás de Jesus e dizem que todos o procuram. Existe quase uma ansiedade nas palavras deles, como se dissessem que aquele era o momento perfeito para ficar, consolidar, aproveitar. Contudo, Jesus surpreende. Ele decide ir adiante. Ele escolhe sair, afirma que veio para anunciar também em outros lugares. Aqui o Evangelho quebra nossa lógica de conforto e controle.

Portanto, Jesus revela o coração da missão. Ele não pertence a um grupo fechado nem a um espaço fixo. Ele caminha, liberta. O Reino de Deus não se instala como posse, mas como movimento. Onde Jesus passa, Ele deixa sinais, não dependência. Quando Ele chega, Ele cura. Assim, Ele ensina que a fé verdadeira não nos acomoda, nos envia.

Por fim, esse Evangelho nos provoca com força. Muitos querem um Jesus que fique, que resolva tudo, que se adapte aos nossos planos. No entanto, Jesus chama a segui-lo no caminho, não a segurá-lo na porta de casa. Ele cura nossas febres, sim, mas também nos levanta para servir. Jesus nos escuta, mas também nos envia. E não desanime: Ele nos consola, mas não nos estaciona.

Assim, hoje, a pergunta não é se Jesus entrou na nossa casa, mas se estamos dispostos a levantar, servir, rezar e caminhar com Ele. Porque quem realmente encontra Cristo não o transforma em conforto pessoal, transforma a própria vida em missão viva.