Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 30/12/25 — Lc 2,36-40
Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 30/12/25 — Lc 2,36-40
O Evangelho de hoje nos coloca diante de uma figura discreta, mas profundamente luminosa: a profetisa Ana. Enquanto muitos passam apressados pelo Templo, ela permanece. Enquanto outros se cansam de esperar, ela persevera. Assim, sua vida inteira se transforma em oração viva, em escuta atenta, em vigília silenciosa diante de Deus.
Em seguida, percebemos que Ana não vive de lembranças do passado nem de sonhos vagos sobre o futuro. Pelo contrário, ela vive ancorada no presente de Deus. Dia e noite, jejua e reza, não por obrigação, mas por amor. Dessa forma, seu coração se torna sensível o bastante para reconhecer aquilo que muitos olhos não veem: o Salvador chega pequeno, frágil, envolto em simplicidade, mas cheio da glória de Deus.
Então, quando Maria e José entram no Templo com o Menino, Ana entende. Ela não precisa de sinais extraordinários, nem de palavras do céu. O Espírito já preparou seu olhar. Por isso, ela louva a Deus e fala do Menino a todos os que esperam a libertação de Jerusalém. Assim, quem espera em Deus aprende a reconhecer Deus quando Ele chega, mesmo do jeito mais simples.

Crescimento espiritual
Além disso, o Evangelho nos mostra que a verdadeira profecia nasce da fidelidade cotidiana. Ana não anuncia por vaidade nem por desejo de destaque. Ao contrário, ela testemunha porque não consegue guardar para si a alegria do encontro. Quando Deus visita, o coração fiel transborda. Quem encontra Cristo sente vontade de contar, de partilhar, de anunciar.
Depois disso, o texto nos leva para Nazaré, onde o Menino cresce, se fortalece e se enche de sabedoria. Nada espetacular aos olhos do mundo acontece ali. No entanto, a graça de Deus repousa sobre aquela vida escondida. Assim, o Evangelho nos ensina que o crescimento espiritual não acontece no barulho, mas na constância; não na pressa, mas no tempo de Deus; não na aparência, mas na profundidade.
Por fim, esse Evangelho nos provoca com uma pergunta silenciosa, mas necessária. Temos esperado a Deus ou apenas passado por Ele? Temos vivido a fé como Ana, com perseverança e escuta, ou nos contentamos com uma religiosidade apressada e superficial? Quando Cristo se aproxima de nós, será que o reconhecemos ou deixamos que Ele passe despercebido?
Portanto, peçamos hoje a graça de um coração vigilante. Que saibamos permanecer quando tudo convida a desistir. Que aprendamos a rezar quando parece não acontecer nada. E que, como Ana, possamos reconhecer Jesus quando Ele chega pequeno, simples e escondido, porque somente quem espera em Deus consegue vê-Lo quando Ele se manifesta. Amém.

