Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 13/01/26 — Mc 1,21b-28
Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 13/01/26 — Mc 1,21b-28
Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho de hoje nos leva para dentro da sinagoga de Cafarnaum, um lugar-comum, conhecido, quase rotineiro, mas ali, Jesus entra como quem não chama atenção à primeira vista.
No entanto, logo fica claro que algo novo acontece. Ele ensina, e as pessoas sentem, pois não é só o que Ele diz, é como Ele diz. A Palavra não escorre pela superfície. Ela bate, entra, cutuca, acorda.
Em seguida, Marcos faz questão de destacar que Jesus ensina com autoridade, e não como os mestres da Lei. Aqui, a autoridade não nasce do cargo, nem do estudo, nem da repetição de tradições antigas. Pelo contrário, ela brota da união entre palavra e vida. Jesus fala do que vive e vive o que fala. Por isso, quem escuta percebe. O coração reconhece quando a verdade chega. A alma sente quando Deus fala.
Logo depois, o Evangelho nos mostra algo inquietante. Um homem possuído por um espírito mau grita dentro da sinagoga. O mal não aguenta a presença da verdade. Onde a luz entra, a escuridão se agita. O grito do espírito não é coragem, é desespero. Ele sabe que perdeu espaço. Ele reconhece Jesus antes de muitos reconhecerem. Isso nos ensina algo sério: às vezes, quem vive no erro percebe Deus mais rápido do que quem se acomoda na religião.

Jesus não negocia
Jesus não discute e não negocia. Ele não faz espetáculo. Ele manda calar e sair. E o mal obedece. Aqui aparece um ponto central da fé cristã: Jesus não só ensina o bem, vence o mal. A Palavra que sai da boca d’Ele tem poder criador, libertador, restaurador. Quando Cristo fala, algo se move. Algo cai, se quebra e começa de novo.
Depois disso, a reação das pessoas é clara. Elas percebem que não se trata apenas de um novo ensinamento, mas de uma nova realidade. A autoridade de Jesus não oprime, não controla, não prende, solta. E isso muda tudo. O Evangelho mostra que a fé verdadeira não nasce do medo, mas do encontro com uma palavra que devolve dignidade.
Por fim, a fama de Jesus se espalha. Não porque Ele quis, mas porque a verdade sempre se espalha. Quando Deus age de verdade, não há como esconder. Contudo, fica uma pergunta para nós hoje. O mesmo Jesus entra também nas sinagogas do nosso coração. Ele fala e liberta. Mas será que deixamos Sua Palavra ter autoridade sobre nossas escolhas, nossos hábitos, nossos pecados escondidos?
Portanto, o Evangelho de hoje nos chama a algo concreto. Não basta admirar Jesus. Não basta se espantar. É preciso obedecer à Palavra que liberta. Onde Cristo entra, o mal precisa sair, e onde Cristo fala, a mentira perde força. Cristo reina e a vida muda. E essa mudança começa agora, dentro de cada um de nós.

