Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 06/01/26 — Mc 6,34-44

Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 06/01/26 — Mc 6,34-44

Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 06/01/26Mc 6,34-44

Queridos irmãos e irmãs, ao olharmos para este Evangelho, somos convidados a entrar numa cena viva, quase palpável. Jesus vê a multidão e não a ignora. Ele não calcula o cansaço, não mede o tempo, não protege a própria agenda.

Ao contrário, o coração d’Ele se move. O texto diz que Jesus sente compaixão porque aquelas pessoas parecem ovelhas sem pastor. Ou seja, gente perdida, faminta de sentido, carente de direção. Aqui já aparece algo central, pois Jesus não começa pelo milagre, começa pelo olhar: Ele vê antes de agir, ama antes de ensinar, acolhe antes de resolver.

Em seguida, quando o dia começa a cair, os discípulos fazem um pedido aparentemente lógico. Eles sugerem que Jesus despeça a multidão para que cada um procure comida por conta própria. No entanto, Jesus vira a lógica do mundo de cabeça para baixo e responde com firmeza e calma: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

Com isso, Ele revela algo profundo. Jesus não terceiriza o amor. Ele chama os discípulos para participar da compaixão. Aqui nasce um princípio do Reino: quem segue Jesus não observa a dor de longe, entra nela.

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O milagre não nasce da quantidade, nasce da entrega

Logo depois, diante da escassez, os discípulos apresentam números, contas e limites. Eles veem apenas cinco pães e dois peixes. Jesus, porém, vê possibilidade onde eles enxergam fracasso.

Ele manda o povo sentar na relva, organiza o caos e cria comunhão. Nada no Evangelho acontece por acaso. Sentar-se lembra descanso, lembra confiança, lembra quem se coloca diante de Deus esperando tudo d’Ele. Antes de multiplicar o pão, Jesus organiza os corações.

Então, no centro da cena, Jesus toma os pães, eleva os olhos ao céu, abençoa, parte e entrega. Aqui está um gesto carregado de sentido. Jesus reconhece que tudo vem do Pai, passa pela gratidão e se transforma em partilha.

O milagre não nasce da quantidade, nasce da entrega. Enquanto os discípulos seguram o pouco com medo, Jesus oferece tudo com confiança. Assim, o pão cresce porque o amor circula. Onde há partilha, a graça se expande.

Dai-lhes vós mesmos de comer

Depois disso, o impossível acontece. Todos comem, todos se saciam, ninguém fica de fora. O Evangelho não fala de sobra por acaso. Doze cestos cheios aparecem no final, como sinal de plenitude. Isso mostra que, no Reino de Deus, ninguém perde quando reparte. Pelo contrário, quem confia nunca fica vazio. A lógica divina sempre supera a lógica do cálculo humano.

Por fim, olhando para nossa vida, este Evangelho nos provoca com força. Quantas vezes vemos apenas a multidão como problema e não como oportunidade de amar? Quantas vezes apresentamos a Jesus nossos limites, mas não nossa disponibilidade?

Cristo continua repetindo: dai-lhes vós mesmos de comer. Ele pede nossas mãos, nosso tempo, nossa escuta, nosso cuidado. O milagre continua quando a Igreja decide não mandar o povo embora, mas ficar com ele.

Portanto, este Evangelho nos chama à conversão do olhar e da atitude. Jesus nos ensina que a fé não elimina o pouco, transforma o pouco em dom. Quando colocamos nas mãos d’Ele aquilo que somos e aquilo que temos, mesmo que pareça insuficiente, o Reino acontece. E então, como naquela tarde, o mundo se alimenta não apenas de pão, mas de esperança.