Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 03/02/26 — Mc 5,21-43

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Homilia diária — Missa de 3ª-feira, 03/02/26Mc 5,21-43

Caríssimos irmãos, hoje o Evangelho nos coloca diante de duas histórias que se cruzam, se tocam e se iluminam. Por um lado, um pai desesperado que corre atrás de Jesus. Por outro, uma mulher ferida há anos, cansada de sofrer em silêncio. Entre eles, Jesus caminha. E, enquanto caminha, revela quem Deus é quando a dor humana o encontra.

Primeiramente, vemos Jairo. Ele não chega discutindo, nem negociando. Ele cai aos pés de Jesus. A dor do filho doente quebra qualquer orgulho. Nesse gesto, Jairo confessa algo profundo: quando tudo falha, só resta confiar. Ele não pede explicações, pede presença. E Jesus não promete discursos, promete ir com ele. O Reino de Deus começa assim, quando alguém coloca a própria fragilidade diante de Cristo sem máscaras.

Enquanto isso, no meio da multidão apertada, surge uma mulher invisível aos olhos do mundo. Doze anos sangrando, doze anos perdendo forças, dinheiro, dignidade. Ela não grita, não chama atenção. Contudo, ela acredita. Não acredita em teorias, acredita no toque. Por isso, estende a mão e toca na orla do manto. Não é magia, é fé encarnada. Ela não toca por curiosidade, toca por necessidade. E esse toque interrompe o caminho de Jesus.

Então algo extraordinário acontece. Jesus sente que uma força saiu dele. Ele para, pergunta e procura. Aqui aprendemos algo decisivo: para Deus, nenhuma fé passa despercebida. No meio da multidão, Ele distingue um coração confiante. O toque daquela mulher não apenas a cura, mas também a revela. Jesus não quer só restaurar o corpo, quer restaurar a pessoa inteira. Por isso, Ele a chama de filha. Essa palavra cura tanto quanto o milagre.

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A esperança

Logo depois, a notícia chega como um golpe seco: a filha de Jairo morreu. A esperança parece tarde demais. No entanto, Jesus reage com firmeza serena. Ele não ignora a dor, mas corrige o medo. “Não tenhas medo. Basta ter fé.” Essa frase não apaga a realidade, mas a atravessa. A fé não nega a morte, mas confia que ela não tem a última palavra.

Ao entrar na casa, Jesus encontra barulho, choro e desespero. O mundo reage assim diante da morte. Contudo, Ele impõe silêncio, não por frieza, mas porque a fé precisa de espaço. Então, com delicadeza impressionante, Ele segura a mão da menina e fala com ternura. A palavra de Jesus não grita, não humilha, não força. Ela chama. E quando Ele chama, a vida responde.

Nesse ponto, o Evangelho nos revela algo central. Jesus não trata a morte como um fim absoluto. Ele a enfrenta como quem acorda alguém do sono. Para Cristo, a morte não manda. O Pai continua agindo, mesmo quando tudo parece acabado. O Reino de Deus se manifesta exatamente onde a lógica humana desiste.

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A fé precisa dar o passo

Diante dessas duas histórias, a pergunta nasce sozinha no coração. Onde eu me encontro hoje? Sou como Jairo, lutando para não perder a esperança? Sou como a mulher, ferido por dentro, tentando tocar Jesus em silêncio? Ou talvez eu esteja como os que choravam, convencidos de que não há mais solução?

Por fim, o Evangelho nos chama a uma decisão prática. Jesus continua passando no meio da multidão. Ele continua deixando-se tocar. Ele continua entrando em casas marcadas pela dor. Porém, Ele não força ninguém. A fé precisa dar o passo, precisa tocar e confiar quando tudo parece atrasado.

Que hoje aprendamos isso. Quando tocamos Jesus com fé verdadeira, algo sempre muda. Às vezes muda o corpo, outras vezes muda o coração. Em muitos momentos, muda o modo de enfrentar a dor. Em todos os casos, muda o rumo da vida. Porque onde Jesus entra, a morte não vence, o medo não domina e a esperança sempre encontra espaço para recomeçar.

Amém.