Homilia diária — Missa de 2ª-feira, 22/12/25 — Lc 1,46-56

Homilia diária — Missa de 2ª-feira, 22/12/25 — Lc 1,46-56

Homilia diária — Missa de 2ª-feira, 22/12/25Lc 1,46-56

Meus irmãos, é preciso dizer com clareza: essa frase não nasce do orgulho, nasce da humildade. Maria não diz “eu fiz”, ela diz “Ele fez”. E aqui já está o coração da fé cristã. Quando Deus age, o ser humano não se exalta, se reconhece pequeno. E justamente aí acontece o milagre.

Ao olharmos para Maria, percebemos que Deus não escolheu o barulho, escolheu o silêncio. Não escolheu o palácio, escolheu a casa simples. Não escolheu o poder humano, escolheu um coração disponível. E, a partir disso, o Todo-poderoso realizou grandes coisas. Não pequenas. Grandes. Mas grandes do jeito de Deus, não do jeito do mundo.

Em seguida, entendemos que essas “grandes coisas” não significam vida fácil, aplausos ou ausência de dor. Pelo contrário, Maria carregou perguntas sem resposta, atravessou noites de medo, sustentou a fé quando tudo parecia desabar. Ainda assim, ela reconheceu a ação divina. Isso nos ensina algo essencial: Deus não faz grandes coisas apenas quando tudo dá certo, Ele faz grandes coisas justamente quando confiamos mesmo sem entender.

Além disso, essa palavra nos provoca diretamente. Quantas vezes olhamos para nossa história apenas pelo que faltou, pelo que não deu certo, pelo que feriu? Maria nos ensina outro olhar, portanto, lê a própria vida à luz de Deus. Maria percebe a graça escondida nos detalhes e reconhece a presença divina até nos caminhos difíceis. E quem aprende a olhar assim nunca mais vive do mesmo jeito.

Advento Amazon 2

Todo-poderoso

Por outro lado, essa frase também nos tira da acomodação. Quando Deus faz grandes coisas em nosso favor, Ele não o faz para nos deixar parados, mas para nos enviar. Maria não guardou a graça só para si. Ela se levantou, foi ao encontro, serviu, cantou, anunciou. A verdadeira fé nunca se fecha, ela transborda. Quem reconhece a ação de Deus sente vontade de testemunhar, mesmo sem microfone, mesmo sem palco.

Consequentemente, essa palavra nos obriga a uma pergunta sincera: conseguimos reconhecer as grandes coisas que Deus já fez em nossa vida? Ou estamos tão presos às frustrações que esquecemos os livramentos, os recomeços, as curas silenciosas, as portas abertas no momento certo? Deus age mais do que percebemos. O problema não é a ausência da graça, muitas vezes é a distração do coração.

Por fim, Maria nos mostra que a gratidão muda tudo. Quem reconhece a ação de Deus vive com mais leveza, enfrenta as dores com mais firmeza e atravessa as crises com esperança. Dizer “o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” não apaga a cruz, mas dá sentido a ela. Não elimina o sofrimento, mas o ilumina. Não resolve tudo, mas sustenta tudo.

Portanto, meus irmãos, aprendamos com Maria a reler nossa história com fé. Deus continua fazendo grandes coisas, mesmo quando não percebemos, mesmo quando não sentimos, mesmo quando não entendemos. E quando o coração aprende a reconhecer isso, a vida muda. Não porque tudo melhora, mas porque Deus passa a ocupar o centro.

Que hoje também possamos dizer, com verdade e confiança: o Todo-poderoso fez, faz e continuará fazendo grandes coisas em nosso favor. Amém.