Homilia diária — Missa de 2ª-feira, 05/01/26 — Mt 4,12-17.23-25

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O Evangelho de hoje nos coloca diante de um momento decisivo da vida pública de Jesus. Depois da prisão de João Batista, Ele não recua, não se esconde e não espera tempos melhores. Ao contrário, Jesus se levanta e vai para a Galileia. Esse movimento já fala por si. Quando a escuridão parece avançar, a luz não foge, ela se desloca para iluminar onde a noite é mais densa.

Em seguida, São Mateus nos mostra que Jesus escolhe caminhar em terras marcadas pela mistura, pela dor e pela distância do centro religioso. Galileia dos pagãos. Um lugar visto com desconfiança, quase esquecido. Justamente ali, onde muitos julgavam não haver esperança, Jesus começa a pregar. Isso revela algo essencial sobre Deus. Ele não espera que o mundo esteja pronto. Ele entra no mundo como ele é.

Depois disso, a Palavra se cumpre. O povo que vivia nas trevas vê uma grande luz. Não é uma luz que machuca os olhos, mas uma luz que aquece o coração. Jesus não chega com ameaças nem com condenações. Ele chega com um anúncio direto, simples e exigente. Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo. Não é um Reino distante, nem um sonho futuro. É uma presença viva que bate à porta da vida concreta.

Em continuidade, Jesus percorre cidades e povoados. Ele ensina nas sinagogas, anuncia a Boa-Nova do Reino e cura toda espécie de doenças. Palavra e gesto caminham juntos. Jesus não fala de um Deus que Ele mesmo não encarna. Ele toca feridas, levanta corpos cansados e devolve dignidade a quem já tinha perdido até o nome. Onde Ele passa, algo muda. Onde Ele chega, a vida respira melhor.

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Um Cristo distante ou um Cristo que cura?

Além disso, as multidões o seguem. Pessoas doentes, feridas, atormentadas, cansadas da própria história. Elas não vão atrás de uma teoria bonita. Elas vão atrás de alguém que faz sentido. Isso nos provoca profundamente. Que tipo de Cristo as pessoas enxergam em nós? Um Cristo distante ou um Cristo que cura, acolhe e restaura?

Por fim, este Evangelho nos obriga a uma escolha. Jesus continua dizendo hoje a mesma frase. Convertei-vos. Isso não significa apenas mudar de comportamento, mas mudar de direção, de critério, de centro. Significa sair das trevas interiores, abandonar a acomodação e permitir que a luz do Reino organize nossas decisões, nossos afetos e nossa maneira de viver.

Portanto, o Senhor passa também pela Galileia da nossa vida. Ele entra nas áreas confusas, feridas e mal resolvidas do nosso coração. Ele não espera perfeição, mas disponibilidade. Se deixarmos, Ele ilumina, e se porventura abrirmos espaço, Ele cura. Finalmente, se dermos um passo, Ele faz nascer o Reino dentro de nós.

Que hoje não sejamos apenas parte da multidão que observa, mas discípulos que se deixam alcançar pela luz. Porque quando Jesus começa a reinar, as trevas já não têm a última palavra.