Homilia diária — Missa de 2ª-feira, 02/02/26 — Apresentação do Senhor
Homilia diária — Missa de 2ª-feira, 02/02/26 — Apresentação do Senhor
Meus irmãos e irmãs, hoje a Igreja nos convida a subir os degraus do Templo com Maria e José, trazendo nos braços um Menino pequeno, silencioso, aparentemente frágil.
Entretanto, logo percebemos que não se trata de um rito qualquer. Pelo contrário, ali acontece um encontro decisivo entre promessa e cumprimento, entre espera longa e presença real. Deus entra no Templo, mas entra como criança. E isso muda tudo.
Primeiramente, chama a atenção a obediência simples de Maria e José. Eles não discutem a Lei, não a negociam, não a adaptam. Eles a vivem.
Ao apresentarem Jesus, mostram que a fé verdadeira começa na fidelidade cotidiana, naquela que ninguém aplaude, mas que sustenta toda a vida espiritual. Desse modo, Deus ensina que grandes mistérios costumam passar por gestos pequenos.
Em seguida, o olhar se volta para Simeão. Ele não corre, não se agita, não exige sinais extraordinários. Ao contrário, ele espera. E espera com o coração aberto. O Espírito o conduz, e ele reconhece no Menino aquilo que muitos doutores não conseguiram ver.
Aqui surge uma verdade profunda: quem vive no Espírito enxerga além das aparências. A fé amadurecida reconhece Deus mesmo quando Ele se esconde na simplicidade.

Luz e contradição
Além disso, Simeão toma Jesus nos braços. Esse gesto fala alto. Não é só o homem que acolhe Deus, é Deus que se deixa acolher. O Senhor, que sustenta o universo, aceita depender de braços humanos. Assim, Ele revela que não veio dominar pela força, mas salvar pelo amor. O Templo, feito de pedras, encontra agora o verdadeiro Templo vivo.

Logo depois, Simeão profetiza luz e contradição. Ele anuncia que aquele Menino ilumina os povos, mas também provoca divisão. Aqui o Evangelho toca fundo na nossa vida. Cristo nunca passa despercebido.
Quem O encontra precisa decidir. Ou se deixa iluminar, ou se incomoda com a luz. Não existe meio-termo diante de Jesus.
Ao mesmo tempo, a presença de Ana reforça essa mensagem. Ela representa a perseverança silenciosa, a fé que não desiste com o passar dos anos.
Sua alegria explode quando reconhece o Salvador. Com isso, Deus mostra que o tempo nunca desperdiça quem espera com confiança. Toda espera em Deus amadurece o coração.
Quem confia encontra sentido
Por fim, a Apresentação do Senhor nos interpela diretamente. Hoje, não somos apenas espectadores dessa cena. Nós também trazemos algo ao Templo. Trazemos nossa vida, nossa história, nossas feridas, nossas esperanças.
Ao apresentarmos tudo isso a Deus, permitimos que Ele nos devolva transformados. Quem entrega recebe luz. Quem confia encontra sentido.
Portanto, celebremos este dia com o coração disponível. Apresentemos ao Senhor aquilo que somos, sem máscaras e sem reservas. E, assim como Simeão, aprendamos a reconhecer Cristo quando Ele chega de modo simples, discreto e silencioso. Porque, quando Deus entra na nossa vida, mesmo como criança, Ele nunca sai sem nos mudar.
