Homilia diária — Missa de 24/03/26 — 3ª-feira — Jo 8,21-30

Homilia diária — Missa de 24/03/26 — 3ª-feira — Jo 8,21-30
Hoje o Evangelho nos coloca diante de uma fala firme de Jesus, quase desconcertante. Ele diz que vai partir e que muitos não poderão ir para onde Ele vai. À primeira vista, isso soa duro, até distante. No entanto, por trás dessas palavras existe um apelo urgente. Jesus não quer excluir ninguém. Ele quer despertar. Ele quer sacudir o coração adormecido.
Além disso, Ele revela algo essencial quando afirma que muitos morrerão em seus pecados. Aqui não se trata de ameaça, mas de consequência. Quem fecha o coração para a verdade, caminha na própria escuridão. O pecado, no fundo, não é apenas erro moral, ele é recusa, é viver longe da fonte e é tentar existir sem Deus, como se fosse possível respirar sem ar.
Por isso, Jesus insiste em algo decisivo. Ele fala da sua identidade. Ele diz “Eu sou”. Essa expressão não é comum. Ela carrega o peso do próprio nome de Deus revelado no passado. Quando Cristo usa essas palavras, Ele não apresenta uma ideia, Ele revela uma presença. Ele mostra que Deus não está distante, mas está ali, diante deles, falando, olhando, chamando.

Ele fala da cruz
Entretanto, o povo não entende. Eles perguntam: “Quem és tu?” E aqui aparece um drama humano muito atual. Muitas vezes escutamos Jesus, mas não o reconhecemos. Ouvimos o Evangelho, mas filtramos tudo com nossas ideias. Queremos um Deus que se adapte a nós, e não um Deus que nos transforme.
Em seguida, Jesus aponta para um momento-chave. Ele diz que, quando o Filho do Homem for levantado, então todos saberão quem Ele é. Jesus fala da cruz, fala do momento em que será erguido, exposto, humilhado. Paradoxalmente, é ali que a verdade aparece com mais força. A cruz não é derrota: cruz é revelação.
De fato, é olhando para a cruz que entendemos quem é Jesus. Não é no poder, não é no milagre, não é no aplauso. É no amor que se entrega até o fim; no silêncio que se perdoa. Além disso, é na dor que se salva. A cruz grita sem fazer barulho. Ela diz que Deus não desiste do homem, mesmo quando o homem vira as costas para Deus.

Quem é Jesus para mim?
Por outro lado, essa palavra também nos atinge diretamente. Cada um de nós precisa responder à pergunta que ecoa no Evangelho. Quem é Jesus para mim? Não com teoria, mas com vida, nem com discurso, mas com decisão. Porque reconhecer Cristo não é repetir uma frase, é segui-lo.
Assim, a fé verdadeira nasce quando aceitamos olhar para a cruz sem fugir. Quando deixamos que aquele amor nos confronte. Quando paramos de negociar com Deus e começamos a confiar. Nesse momento, algo muda. O coração se abre. A vida ganha direção.
Por fim, o Evangelho termina dizendo que muitos creram em Jesus. Isso mostra que, mesmo em meio à dúvida e resistência, a graça age. Deus continua chamando. Deus continua esperando. E hoje, aqui, Ele também chama você.
Portanto, não adie essa resposta. Não endureça o coração. Olhe para Cristo levantado na cruz e reconheça. Ele é o Senhor. Ele é o caminho, é a vida. E quem permanece nessa verdade não anda mais na escuridão, mas encontra a luz que não se apaga.
Amém.


