Homilia diária — Missa de 23/02/26 — 2ª-feira— Mt 25,31-46

Homilia diária — Missa de 23/02/26 — 2ª-feira— Mt 25,31-46

Homilia diária — Missa de 23/02/26 — 2ª-feira— Mt 25,31-46

Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho de Mateus 25,31-46 nos conduz a uma das cenas mais solenes de toda a Escritura. Jesus nos apresenta o Filho do Homem vindo em sua glória, rodeado pelos anjos, sentado em seu trono. Diante dele, reúnem-se todos os povos. Não há distinção de cultura, poder ou religião. Todos comparecem. E então o Senhor realiza uma separação que não se baseia em aparência, mas em verdade.

Logo em seguida, Cristo utiliza a imagem do pastor que separa as ovelhas dos cabritos. Essa figura fala diretamente ao coração de quem conhece a vida simples do campo. O pastor conhece suas ovelhas, sabe como elas agem, reconhece seus hábitos. Assim também o Senhor conhece cada um de nós. Ele não olha apenas o que fizemos externamente, mas enxerga a intenção que moveu cada gesto.

Em continuidade, o critério do julgamento surpreende, pois o Rei não pergunta quantas orações decoramos, nem quantos títulos religiosos acumulamos. Ele aponta para atitudes concretas: dar de comer a quem tem fome, oferecer água a quem tem sede, acolher o estrangeiro, vestir o nu, visitar o doente e o preso, pois o amor se manifesta em ações simples, porém decisivas. A fé verdadeira sempre produz frutos visíveis.

Além disso, o texto revela algo profundamente teológico e desconcertante: Cristo se identifica com os pequenos. Ele declara que tudo o que fizemos a um dos menores foi feito a Ele mesmo. Essa afirmação muda completamente nossa visão da realidade. O pobre não representa apenas alguém necessitado; ele se torna presença misteriosa do próprio Senhor. Quando tocamos a ferida do irmão, tocamos o Corpo de Cristo.

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A caridade autêntica

Consequentemente, a omissão adquire um peso enorme. Aqueles que se afastam do Rei não cometeram crimes espetaculares; simplesmente deixaram de amar. Ignoraram a necessidade alheia. Escolheram a indiferença. O Evangelho mostra que o pecado não nasce apenas da maldade ativa, mas também do coração fechado que não se deixa mover pela compaixão.

Por outro lado, os justos demonstram surpresa. Eles não percebem que serviram o próprio Cristo. Agiram com naturalidade, sem buscar recompensa. Essa reação revela um ponto essencial: quem ama de verdade não calcula mérito. A caridade autêntica brota de um coração transformado pela graça e não de uma estratégia para garantir o céu.

Dessa forma, o juízo final não apresenta um Deus arbitrário, mas um Deus coerente. Ele respeita a liberdade humana até o fim, pois quem viveu fechado no egoísmo experimenta a consequência dessa escolha. Quem cultivou a misericórdia entra na plenitude da vida. O destino eterno manifesta aquilo que cada um construiu no tempo.

Portanto, o Evangelho nos provoca a examinar a própria rotina. Como trato as pessoas invisíveis da minha cidade? De que maneira respondo ao sofrimento que cruza meu caminho? Transformo a fé em gestos concretos ou a mantenho no campo das ideias? Cada encontro diário oferece uma oportunidade de encontrar Cristo.

Por fim, a cena do julgamento não pretende gerar medo paralisante, mas despertar responsabilidade amorosa. Jesus não ameaça; Ele convida, e então, Ele nos chama a reconhecer sua presença nos pequenos e a viver desde agora a lógica do Reino. Se acolhermos essa verdade, cada ato de misericórdia se tornará antecipação da eternidade. Assim, quando o Filho do Homem vier em sua glória, não encontraremos um estranho no trono, mas o mesmo Senhor que servimos nos irmãos ao longo da vida.