Homilia diária — Missa de 21/03/26 — Sábado — Jo 7,40-53
Homilia diária — Missa de 21/03/26 — Sábado — Jo 7,40-53
Caros irmãos e irmãs, ao escutarmos o Evangelho de hoje, percebemos imediatamente um clima de inquietação. A presença de Jesus provoca reações diferentes nas pessoas. Alguns, ao ouvirem suas palavras, reconhecem nele o Profeta prometido.
Outros chegam a afirmar com convicção que Ele é o Cristo. Entretanto, ao mesmo tempo, surgem vozes de dúvida, de resistência e até de rejeição. Assim, o texto revela uma realidade muito humana: quando Deus se manifesta, o coração humano precisa tomar posição.
Além disso, a discussão entre o povo mostra algo profundo sobre a experiência de fé. Muitos reconhecem a beleza das palavras de Jesus, mas hesitam diante das próprias ideias preconcebidas.
Alguns questionam sua origem, outros discutem detalhes da Escritura, enquanto poucos se deixam tocar verdadeiramente pelo que Ele diz. Desse modo, o Evangelho nos apresenta um contraste claro entre quem escuta com abertura interior e quem prefere proteger as próprias certezas.
Enquanto isso, as autoridades religiosas demonstram outra atitude. Em vez de acolher a possibilidade de que Deus esteja agindo diante de seus olhos, elas se fecham em uma postura de julgamento.
O medo de perder o controle e a influência sobre o povo pesa mais do que a busca sincera pela verdade. Por isso, a reação deles revela um perigo espiritual que acompanha a história da fé: quando o orgulho se instala no coração, até a presença de Deus pode ser interpretada como ameaça.

Deus sempre suscita vozes que procuram a luz
Contudo, surge no meio desse cenário uma figura interessante. Nicodemos, que já havia encontrado Jesus antes, tenta introduzir um pouco de justiça na discussão. Ele não declara abertamente sua fé, mas pede algo essencial: que julguem com base na verdade e não na pressa ou no preconceito. Essa intervenção mostra que, mesmo em ambientes hostis, Deus sempre suscita vozes que procuram a luz.
Consequentemente, o Evangelho termina sem uma conclusão clara, pois cada grupo permanece dividido. Essa ausência de um desfecho não acontece por acaso. O texto deixa a pergunta aberta para quem escuta hoje.
Cada pessoa precisa decidir como reagir diante de Cristo. Alguns preferem discutir detalhes, outros se refugiam em tradições ou argumentos, mas somente quem abre o coração consegue reconhecer a presença de Deus na história.

Quando Cristo fala, o que acontece dentro de mim?
Portanto, o Evangelho não fala apenas das pessoas daquele tempo. Ele fala diretamente de nós. Também hoje o mundo se divide diante de Jesus. Alguns escutam suas palavras e encontram nelas vida e esperança.
Outros permanecem presos à desconfiança, ao medo ou à indiferença. Diante disso, a pergunta que ecoa no fundo da consciência é inevitável: quando Cristo fala, o que acontece dentro de mim? Meu coração se abre ou se fecha?
Finalmente, a liturgia de hoje nos convida a dar um passo além da curiosidade religiosa. Cristo não deseja apenas admiradores ou debatedores. Ele busca discípulos que reconheçam sua voz e caminhem com Ele.
Quando alguém acolhe suas palavras com sinceridade, a confusão se transforma em clareza, o medo cede lugar à confiança e a dúvida encontra repouso na fé. Assim, cada um de nós precisa decidir se ficará entre os que discutem sobre Jesus ou entre aqueles que realmente o seguem.
Amém.

