Homilia diária — Missa de 20/03/26 — 6ª-feira — Jo 7,1-2
Homilia diária — Missa de 20/03/26 — 6ª-feira — Jo 7,1-2
o Evangelho de hoje revela um momento tenso da vida de Jesus. A oposição contra Ele cresce, a hostilidade aumenta, e Jerusalém se torna um lugar perigoso. Por isso, Cristo caminha com prudência. Ele não se move por medo, mas por fidelidade ao tempo de Deus. Cada passo segue o ritmo da vontade do Pai, não o barulho das pressões humanas.
Enquanto isso, a cidade murmura. O povo discute, questiona, especula. Alguns reconhecem sinais da presença de Deus, outros tentam explicar tudo com argumentos humanos. Muitos perguntam se Jesus poderia realmente ser o Messias. Ainda assim, hesitam. A dúvida nasce porque esperavam um salvador diferente. O Messias que imaginavam viria com força política, prestígio e reconhecimento imediato. Entretanto, Cristo surge de forma simples, com autoridade que brota da verdade e não do poder terreno.
Além disso, Jesus responde às suspeitas com uma afirmação profunda. Ele declara que não veio por iniciativa própria. Sua missão nasce no coração do Pai. O Filho conhece aquele que o enviou e vive totalmente unido a Ele. Aqui aparece um ponto central da teologia do Evangelho de João: Jesus não atua como profeta isolado, mas como o próprio enviado de Deus. Sua palavra não nasce de estratégia humana. Ela brota da comunhão eterna com o Pai.
Por outro lado, a reação da multidão mostra uma realidade muito humana. Quando a verdade confronta expectativas, o coração tende a resistir. Muitos escutam Jesus, porém preferem manter suas ideias antigas. Em vez de se abrir ao mistério de Deus, procuram encaixar Cristo em categorias já conhecidas. Assim nasce a rejeição. A mente tenta controlar o que deveria contemplar.

A fé verdadeira exige abertura
Entretanto, o texto traz uma frase silenciosa, mas decisiva. Ninguém consegue prender Jesus porque a sua hora ainda não chegou. A história não caminha ao sabor da violência ou da intriga. Deus conduz cada acontecimento com sabedoria. O tempo do Senhor não se dobra à pressa humana. A cruz virá, mas virá no momento certo. A glória também chegará, mas somente quando o amor tiver revelado sua plenitude.
Diante disso, o Evangelho provoca uma pergunta séria para nossa vida. Também nós criamos imagens de Deus que cabem em nossas expectativas. Muitas vezes buscamos um Cristo que confirme nossas ideias, mas não um Cristo que transforme o coração. Quando o Senhor fala de conversão, perdão e verdade, nossa tendência consiste em recuar. Contudo, a fé verdadeira exige abertura. Quem deseja encontrar Jesus precisa abandonar certezas superficiais e permitir que Deus conduza o caminho.
Além do mais, a atitude de Cristo ensina algo essencial. Ele permanece fiel à missão mesmo diante da incompreensão. Nenhuma oposição interrompe seu propósito. Nenhuma ameaça altera sua confiança no Pai. Essa serenidade nasce da certeza interior de quem sabe de onde veio e para onde vai. Quem vive unido a Deus não se deixa dominar pelo medo.

A fé não cresce apenas pela curiosidade intelectual
Por fim, este Evangelho nos convida a olhar para o próprio coração. Cada pessoa precisa decidir se aceita ou rejeita a presença de Cristo. A fé não cresce apenas pela curiosidade intelectual. Ela nasce quando alguém reconhece que Jesus vem realmente de Deus e decide segui-lo. Nesse momento, o coração descobre que o verdadeiro Messias não corresponde aos nossos projetos, mas revela o projeto do Pai.
Assim, irmãos e irmãs, peçamos a graça de reconhecer Jesus como o enviado de Deus. Que o Senhor purifique nossas expectativas e fortaleça nossa confiança. Quando permitimos que Cristo conduza nossa vida, deixamos de viver segundo o medo e começamos a caminhar segundo a verdade. E quem caminha com a verdade descobre, pouco a pouco, que o tempo de Deus sempre conduz à vida.
Amém.

