Homilia diária — Missa de 20/02/26 — 6ª-feira — Mt 9,14-15

Homilia diária — Missa de 20/02/26 — 6ª-feira — Mt 9,14-15

Homilia diária — Missa de 20/02/26 — 6ª-feira — Mt 9,14-15

Hoje o Evangelho nos coloca diante de uma pergunta sincera, mas carregada de comparação. Os discípulos de João perguntam a Jesus por que eles e os fariseus jejuam, enquanto os discípulos d’Ele não jejuam. Existe aqui uma tensão espiritual muito comum também em nossos dias: a tendência de medir a fé pela prática externa, pela disciplina visível, pelo esforço que aparece. No entanto, Jesus responde deslocando o centro da discussão. Ele não fala primeiro de jejum. Ele fala do noivo.

Ao afirmar que os convidados de um casamento não podem jejuar enquanto o noivo está com eles, o Senhor revela algo imenso sobre sua própria identidade. Ele se apresenta como o Esposo. Não usa esse título por acaso. Desde os profetas, Deus se descreve como o esposo fiel que ama seu povo com amor apaixonado e perseverante. Quando Jesus assume essa imagem, Ele declara silenciosamente que Deus cumpre sua promessa ali, diante deles. O tempo da espera termina. O amor visita sua amada.

Consequentemente, o jejum perde o sentido naquele momento específico porque a presença do Esposo transforma o clima espiritual. Ninguém jejua numa festa de casamento. Ninguém veste luto enquanto a alegria dança no meio da sala. A chegada de Cristo inaugura um tempo novo. A religião deixa de ser apenas esforço humano e passa a ser encontro. A fé deixa de ser só obrigação e se torna relação.

Entretanto, o próprio Jesus anuncia que dias virão em que o noivo será tirado. Aqui Ele aponta para a cruz. A alegria não elimina o sacrifício. O amor verdadeiro passa pela entrega total. Quando o Esposo se oferece por sua esposa, o jejum recupera sentido, mas agora como expressão de saudade, de comunhão e de espera vigilante. Assim, a prática exterior ganha profundidade interior.

Quaresma 2026

Trabalhamos para Deus, mas deixamos de estar com Deus.

Diante disso, precisamos olhar para nossa própria vida espiritual. Será que vivemos a fé como encontro com o Esposo ou apenas como cumprimento de normas? Muitas vezes repetimos gestos religiosos, mas esquecemos de cultivar intimidade. Cumprimos obrigações, porém não celebramos a presença. Trabalhamos para Deus, mas deixamos de estar com Deus.

Além disso, o Evangelho nos convida a compreender que o cristianismo nasce da alegria de saber que Cristo caminha conosco. Quando participamos da Eucaristia, não celebramos um ausente. Encontramos o Esposo vivo. Quando rezamos, não falamos para o vazio. Dialogamos com alguém que nos ama. Quando jejuamos, não exibimos disciplina. Expressamos desejo de união mais profunda.

Portanto, o centro não está no jejum, mas na relação. O foco não está na comparação, mas na comunhão. Jesus não rejeita a penitência. Ele reorganiza seu sentido. Primeiro vem o amor. Depois vem o sacrifício. Quem ama faz sacrifícios com alegria. Quem apenas cumpre regras carrega pesos.

Finalmente, o Senhor nos chama a renovar nosso modo de viver a fé. Ele permanece conosco e nos visita todos os dias, afinal, Ele deseja nossa amizade. Se reconhecermos sua presença, a tristeza perderá força, a obrigação se transformará em oferta e o coração reencontrará alegria.

Que cada um de nós aprenda a viver como convidado das núpcias do Cordeiro, consciente de que o Esposo está presente e continua chamando sua Igreja para uma relação viva, fiel e apaixonada.