Homilia diária — Missa de 06/03/26 — 6ª-feira — Mt 21,33
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Meus irmãos e minhas irmãs, o Evangelho de hoje nos apresenta a parábola dos vinhateiros homicidas, e logo percebemos que Jesus não conta apenas uma história agrícola. Ele fala da história da salvação, fala de nós e fala do coração humano quando resiste ao amor de Deus.
Em primeiro lugar, contemplemos a imagem da vinha. Desde o Antigo Testamento, a vinha representa o povo escolhido, cuidado com carinho pelo Senhor. O dono planta, cerca, constrói torre, prepara tudo com zelo. Nada falta. Portanto, Deus não age com descuido. Ele investe, espera, confia, entrega responsabilidades. Ele acredita na resposta do ser humano.
No entanto, quando chega o tempo dos frutos, os lavradores reagem com violência. Eles espancam os servos, matam outros, rejeitam quem vem em nome do dono. Em seguida, o proprietário envia o próprio filho, pensando: respeitarão meu filho. Aqui o silêncio pesa. Aqui a parábola anuncia algo maior. Jesus fala de si mesmo. Ele é o Filho enviado. Ele é o herdeiro rejeitado.

Sempre que a criatura se coloca no lugar do Criador, nasce a violência interior
Além disso, a atitude dos vinhateiros revela uma lógica perigosa: querem a herança sem reconhecer o dono. Desejam os frutos sem aceitar a autoridade. Pretendem tomar posse da vinha eliminando o filho. Esse movimento ecoa até hoje. Sempre que o homem quer construir a própria vida excluindo Deus, ele repete esse gesto. Sempre que a criatura se coloca no lugar do Criador, nasce a violência interior.
Consequentemente, Jesus cita o salmo: a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Aquilo que parecia fracasso transforma-se em fundamento. A cruz, sinal de rejeição, torna-se trono de glória. Deus escreve direito por linhas que nós julgamos tortas. O Filho morto fora da vinha torna-se o centro de um Reino novo.
Portanto, o Senhor declara que o Reino será tirado daqueles que não produzem frutos e será entregue a quem produz. Aqui está o ponto decisivo. Deus não procura aparência religiosa. Ele busca fruto, espera justiça, misericórdia, fidelidade. Jesus quer uma fé que gere vida concreta.

Quando ignoramos a vontade de Deus, repetimos o drama da vinha
Entretanto, antes de apontarmos o dedo para os fariseus que se sentiram atingidos, precisamos olhar para dentro. Quantas vezes tratamos a vida como se fosse propriedade exclusiva nossa? Quantas vezes agimos como donos absolutos do tempo, dos talentos, das pessoas? Quando ignoramos a vontade de Deus, repetimos o drama da vinha.
Por isso, o Evangelho nos convida a uma conversão profunda. Precisamos reconhecer que a vinha pertence ao Senhor. Precisamos aceitar o Filho, escutar sua voz, obedecer sua palavra. Quando acolhemos Cristo como pedra angular, nossa vida encontra direção e firmeza.
Assim, a parábola não termina em ameaça, mas em oportunidade. Deus continua enviando seu Filho através da Palavra, dos sacramentos, dos apelos da consciência. Ele continua esperando frutos. Ele continua oferecendo graça.
Que hoje escolhamos produzir frutos dignos do Reino. Que deixemos Cristo ocupar o centro. E que, ao invés de rejeitar a pedra, edifiquemos sobre ela nossa existência inteira. Amém.

