Homilia diária — Missa de 04/03/26 — 4ª-feira — Mt 20,17-28

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Meus irmãos e minhas irmãs, enquanto Jesus sobe para Jerusalém, Ele não alimenta ilusões nos discípulos, mas revela com clareza o que O espera. Ele fala de entrega, de condenação, de sofrimento e de morte, e logo anuncia também a ressurreição. Portanto, antes que a cruz aconteça, o Senhor já a assume livremente. Ele não caminha como vítima das circunstâncias, mas como Filho obediente que abraça a vontade do Pai por amor.

Entretanto, enquanto Cristo fala de doação total, os discípulos ainda pensam em posições e privilégios. A mãe de Tiago e João se aproxima e pede lugares de honra para os filhos. Nesse momento, o contraste fica evidente: de um lado, Jesus oferece a própria vida; de outro, os discípulos disputam espaço. Essa cena revela algo muito humano, pois também nós, muitas vezes, misturamos fé com ambição, devoção com desejo de reconhecimento.

Além disso, Jesus responde com uma pergunta que corta o coração: “Podeis beber o cálice que eu vou beber?” O cálice, na linguagem bíblica, simboliza o destino, a missão, o sofrimento assumido por fidelidade a Deus. Ao falar do cálice, Cristo não oferece glória fácil, mas comunhão profunda com sua entrega. Segui-lo significa participar do seu caminho, e não apenas admirar seus milagres.

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Ciúme e inveja

Contudo, quando os outros discípulos escutam o pedido dos dois irmãos, eles se indignam. A indignação, porém, não nasce de humildade, mas de ciúme. Cada um, no fundo, deseja o mesmo lugar. Por isso, Jesus reúne o grupo e ensina algo decisivo: no mundo, os chefes dominam e fazem sentir seu poder; entre vocês, não deve ser assim. Aqui está a revolução do Evangelho. Cristo desmonta a lógica do poder que oprime e apresenta a autoridade que serve.

Consequentemente, o Senhor redefine grandeza. Quem quiser tornar-se grande, torne-se servidor. Quem desejar ser o primeiro, faça-se escravo. Essas palavras não soam como poesia inspiradora, mas como exigência concreta. Jesus não propõe um sentimento vago de bondade, mas um estilo de vida que coloca o outro no centro. Ele mesmo confirma isso ao afirmar que o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos.

Dessa forma, o próprio Cristo se apresenta como medida e modelo. Ele não apenas ensina o serviço, Ele vive o serviço. Lava os pés, toca os doentes, acolhe os pecadores, carrega a cruz. Sua autoridade nasce do amor que se entrega até o fim. Quem contempla essa verdade percebe que a cruz não representa fracasso, mas trono; não indica derrota, mas expressão máxima de um amor que não recua.

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Beber o cálice

Por fim, este Evangelho nos obriga a olhar para dentro. Em nossas famílias, trabalhos e comunidades, buscamos servir ou preferimos mandar? Nas decisões diárias, escolhemos o último lugar ou defendemos nosso prestígio? A subida para Jerusalém continua hoje na vida de cada discípulo. Cristo nos convida a caminhar com Ele, não atrás de aplausos, mas atrás da fidelidade.

Assim, peçamos a graça de beber o cálice com coragem e de transformar nossa fé em serviço concreto. Quando o amor guia nossas escolhas, a ambição perde força e a cruz ganha sentido. Então, mesmo em meio às dificuldades, experimentamos a alegria de quem descobre que servir com Cristo vale mais do que qualquer trono passageiro.

Amém.