Homilia diária — Lc 19,11-28 — Missa de 4ª-feira, 19/11/25

Homilia diária — Lc 19,11-28 — Missa de 4ª-feira, 19/11/25
O Evangelho de hoje fala direto ao nosso coração, sem rodeios. Jesus conta a parábola do homem nobre que confiou moedas a seus servos e depois voltou para pedir contas. Entretanto, no meio da história, surge a pergunta que queima como fogo: “Por que tu não depositaste meu dinheiro no banco?”
Essa pergunta não é sobre economia. É sobre vida espiritual. É sobre tudo o que Deus colocou em nossas mãos: dons, tempo, fé, capacidade de amar, oportunidades, a própria alma. Cada talento que recebemos carrega uma intenção divina, e um dia prestaremos contas, não por medo, mas por verdade.
O servo medroso devolve exatamente o que recebeu. Nada estragado, mas nada transformado. Ele não roubou, não fugiu, não destruiu. Ele simplesmente… não fez nada. E é justamente esse vazio que dói. Seu erro não está no que fez de errado, mas no que deixou de fazer. Ele esconde o talento, enterra a possibilidade, paralisa a missão.
E então o senhor pergunta: “Por que não depositaste no banco?”. Ou seja: por que não fizeste ao menos o mínimo? Por que não deixaste que minha graça rendesse frutos?
Irmãos e irmãs, quantas vezes vivemos exatamente assim. Deus nos dá dons reais, mas o medo nos paralisa. O medo de falhar, de não ser aceito, de não ser capaz, de ser criticado. Guardamos talentos no bolso da insegurança e enterramos o que poderia ter sido semente de vida no mundo.

Coragem
Essa parábola nos mostra que Deus nunca nos entrega dons para ficarem trancados. A fé estagnada adoece. A caridade escondida enfraquece. O Evangelho guardado só para nós perde o sentido. Somos chamados a “colocar no banco”, isto é, a pôr a graça em circulação, deixar que Deus produza frutos através de nós, mesmo no pouco, mesmo no simples.
Mas também vemos outro aspecto profundo: Deus não espera que façamos milagres. Ele espera fidelidade, afinal, os servos que multiplicam os talentos não fazem nada extraordinário. Somente fazem o que podem com o que têm, mas a graça multiplica o resto.
O único que nada produz é o que nada tenta.
Por isso, este Evangelho nos pede coragem. Não coragem de grandes feitos, mas coragem de pequenas fidelidades. Coragem de arriscar o amor, de oferecer perdão, de servir alguém, de crescer na fé, de vencer uma tentação, de rezar com sinceridade, de partilhar o que somos.
Porque, no fim, Deus não nos perguntará se fomos extraordinários, mas se fomos generosos. Não perguntará quantos talentos possuíamos, mas o que fizemos com eles.
Hoje Jesus nos chama a sair da paralisia espiritual. Ele nos olha com ternura, mas também com firmeza, e pergunta: “Por que você não colocou no banco aquilo que te dei?”
Cada minuto vivido com amor rende juros eternos, e cada gesto de fé se torna semente do Reino. Observe que o dom colocado em circulação transforma o mundo um pouco mais à imagem de Cristo.
Que o Espírito Santo nos liberte do medo que enterra talentos. Que nos dê ousadia para fazer o bem sem esperar aplausos. E que, um dia, possamos ouvir do Senhor as palavras mais lindas que um coração pode desejar: “Muito bem, servo bom e fiel.”. Amém.

