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Hoje o Senhor continua dizendo a cada um de nós: “Eu quero, fica purificado.” Jesus quer nos tocar, quer nos curar das feridas que carregamos – Homilia diária da liturgia católica — 6ª-feira, 10/01/25
Homilia
Queridos irmãos, o Evangelho de hoje nos apresenta um encontro poderoso entre Jesus e um homem leproso. Uma cena carregada de dor, esperança e compaixão, que nos revela o coração misericordioso de Deus e a força da fé que transforma vidas. Esse encontro nos ensina que Jesus não apenas cura doenças físicas, mas restaura o ser humano por completo, trazendo de volta a dignidade, o pertencimento e a esperança.
Vamos mergulhar juntos nesse Evangelho e descobrir o que essa passagem nos ensina sobre a ação de Jesus em nossa vida hoje.
O leproso que se aproxima de Jesus é uma figura que carrega um peso enorme de sofrimento. Naquele tempo, a lepra não era vista apenas como uma doença física. Era um sinal de impureza, um castigo que excluía a pessoa da comunidade. Quem era leproso vivia isolado, sem contato humano, sem carinho, sem esperança. Era como se já estivesse morto em vida.
E, então, esse homem, carregando em si não apenas feridas no corpo, mas também feridas na alma, ousa aproximar-se de Jesus. E faz um pedido que é, ao mesmo tempo, uma profissão de fé: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar.”
Que confiança! Esse homem não duvida do poder de Jesus. Ele não pergunta “Será que podes?”, mas afirma: “Se queres, tu tens o poder.” Esse é o tipo de fé que Jesus busca em nós. Uma fé que reconhece Seu poder absoluto, mas também se submete à Sua vontade. Uma fé que sabe que Deus pode tudo, mas que respeita o tempo e o modo como Ele age.
E vejam a resposta de Jesus. Ele poderia ter curado o homem à distância, com uma simples palavra. Mas o Evangelho nos diz que Jesus “estendeu a mão e tocou nele.”
Esse gesto é revolucionário. Naquele tempo, tocar um leproso era impensável. A lepra tornava a pessoa “impura” segundo a Lei, e quem a tocasse ficava também impuro. Mas Jesus rompe essa barreira. Ele toca no que ninguém quer tocar. Ele se aproxima do que todos rejeitam. Com esse toque, Jesus não apenas cura o corpo do leproso; Ele cura também sua exclusão, sua solidão, sua dor de ser rejeitado.
O toque de Jesus é um gesto de amor, de acolhimento, de restauração da dignidade humana. E, com esse toque, Jesus diz: “Eu quero, fica purificado.”
Notem, irmãos: Jesus quer! Ele quer curar, Ele quer restaurar, Ele quer nos dar uma nova chance. Ele não apenas tem poder para isso; Ele tem o desejo de nos fazer novos, de nos libertar das feridas que carregamos, sejam físicas, emocionais ou espirituais.
Após a cura, Jesus orienta o homem a cumprir o que prescrevia a Lei de Moisés. Ele o envia ao sacerdote para que sua cura fosse reconhecida oficialmente e ele pudesse ser reintegrado à comunidade. Isso nos mostra que a cura de Jesus não é apenas individual. É uma cura que traz reconciliação com a comunidade, com a família, com a sociedade.
No entanto, apesar da recomendação de silêncio, a fama de Jesus continua crescendo. As multidões o procuram, buscando cura e libertação. E Jesus, diante dessa grande demanda, faz algo surpreendente: “Ele se retirava para lugares solitários e se entregava à oração.”
Esse detalhe final é um grande ensinamento para nós. Jesus, mesmo em meio à missão, em meio à agitação das multidões, sabia a importância de se retirar para rezar. Ele sabia que a força para continuar Sua missão vinha da intimidade com o Pai.
Quantas vezes nós, envolvidos pelas ocupações e preocupações do dia a dia, esquecemos de buscar esse tempo de recolhimento, esse encontro íntimo com Deus? Jesus nos ensina que a oração é o que nos sustenta, o que nos fortalece, o que nos dá clareza e paz.
Queridos irmãos, hoje o Senhor continua dizendo a cada um de nós: “Eu quero, fica purificado.” Jesus quer nos tocar, quer nos curar das feridas que carregamos, sejam elas causadas pelo pecado, pelo sofrimento, pela rejeição ou pela solidão. Ele nos oferece Sua mão, Seu toque de amor, e nos convida a abrir o coração à Sua presença.
Como o leproso, precisamos nos aproximar de Jesus com fé e confiança. Precisamos reconhecer que Ele tem o poder de nos purificar, mas também aceitar que Sua vontade é sempre o melhor para nós.
E, como Jesus, somos chamados a tocar os que estão à margem, os que sofrem, os que são rejeitados. Que possamos ser instrumentos de Seu amor e de Sua compaixão, levando cura, acolhimento e esperança ao mundo.
E lembremos sempre: “Ele quer!” Jesus quer nos purificar, nos libertar, nos restaurar. Basta que, como aquele homem, nos aproximemos e entreguemos nossa vida em Suas mãos. Amém!