
Aqui está a grande lição: a fé verdadeira exige abandonar nossos conceitos e aceitar o plano divino. Homilia diária da liturgia católica — 5ª-feira, 20/02/25
Homilia — 5ª-feira, 20/02/25
O Evangelho de hoje nos conduz a uma cena intrigante. Os discípulos estão na barca com Jesus e percebem que esqueceram os pães. Apenas um restava. É nesse momento que o Mestre fala: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes”. Mas os discípulos não entendem. Pensam que Ele está falando de comida. Estão presos ao concreto, ao imediato. Soa familiar?
Jesus percebe sua falta de compreensão e faz uma série de perguntas. “Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis?”. E vai mais fundo: “Vosso coração está endurecido?”. Essa última pergunta ecoa. Um coração endurecido é incapaz de perceber a presença de Deus.
Os discípulos tinham acabado de testemunhar dois grandes milagres: a multiplicação dos pães para cinco mil e depois para quatro mil pessoas. Viram com os próprios olhos o que Jesus é capaz de fazer. Ainda assim, preocupam-se com a falta de pão. Mas o que lhes falta não é comida, e sim fé.
O “fermento dos fariseus e de Herodes” simboliza a corrupção da fé, a hipocrisia, a arrogância de quem se julga autossuficiente. Esse fermento infla o ego, desvia do essencial e faz com que a pessoa confie mais em si mesma do que em Deus. Quantas vezes nós também somos assim? Buscamos soluções humanas quando Deus já nos mostrou que é capaz de prover tudo o que necessitamos.
Jesus nos chama à memória. “Não vos lembrais?”. E segue com Suas perguntas, recordando os milagres. A mensagem é clara: quem caminha com Cristo nunca estará desamparado. O problema não é a escassez de pão, mas a falta de confiança.
Meus irmãos, esse Evangelho nos convida a refletir: que tipo de fermento estamos permitindo que cresça em nossa vida? O fermento da dúvida, da auto-suficiência, da hipocrisia? Ou o fermento da fé, da esperança e da confiança plena em Deus?
Que o Senhor abra nossos olhos e corações para que possamos ver e compreender: Ele está conosco. E com Ele, nada nos faltará.
Agora, o Evangelho nos leva a Cesareia de Filipe. No caminho, Jesus faz a pergunta crucial: “Quem dizem os homens que eu sou?”. Os discípulos apresentam diversas respostas: João Batista, Elias, um dos profetas. Mas a pergunta verdadeira vem a seguir: “E vós, quem dizeis que eu sou?”.
Pedro, inspirado, responde: “Tu és o Messias”.
Cristo, no entanto, proíbe que falem sobre isso. Por quê? Porque ainda havia muito a ser compreendido. A visão de Messias dos discípulos era incompleta, limitada. Eles esperavam um libertador político, um rei terreno. Mas Jesus revela-lhes a verdade: Ele deve sofrer, ser rejeitado, ser morto e, depois de três dias, ressuscitar.
Pedro, incapaz de aceitar tal destino, toma Jesus à parte e o repreende. Mas Cristo reage de forma dura: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.
Aqui está a grande lição: a fé verdadeira exige abandonar nossos próprios conceitos e aceitar o plano divino. Muitas vezes, queremos um Jesus à nossa maneira, um Deus que se encaixe em nossos desejos. Mas seguir Cristo significa aceitar também a cruz, o sofrimento, a entrega total.
Que nossa resposta à pergunta de Jesus não seja apenas de palavras, mas de vida: “Tu és o Messias!” E que estejamos dispostos a segui-Lo até o fim.

