Homilia diária da liturgia católica — 4ª-feira, 19/02/25

Homilia de hoje – Liturgia da Missa de 4ª-feira - homilias.com.br

Sigamos com Jesus, e deixemos para trás o que não nos permite enxergar a verdade. Homilia diária da liturgia católica — 4ª-feira, 19/02/25

Homilia — 4ª-feira, 19/02/25

O Evangelho de hoje nos conduz a uma cena intrigante. Os discípulos estão na barca com Jesus e percebem que esqueceram os pães. Apenas um restava. É nesse momento que o Mestre fala: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes”. Mas os discípulos não entendem. Pensam que Ele está falando de comida. Estão presos ao concreto, ao imediato. Soa familiar?

Jesus percebe sua falta de compreensão e faz uma série de perguntas. “Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis?”. E vai mais fundo: “Vosso coração está endurecido?”. Essa última pergunta ecoa. Um coração endurecido é incapaz de perceber a presença de Deus.

Os discípulos tinham acabado de testemunhar dois grandes milagres: a multiplicação dos pães para cinco mil e depois para quatro mil pessoas. Viram com os próprios olhos o que Jesus é capaz de fazer. Ainda assim, preocupam-se com a falta de pão. Mas o que lhes falta não é comida, e sim fé.

O “fermento dos fariseus e de Herodes” simboliza a corrupção da fé, a hipocrisia, a arrogância de quem se julga autossuficiente. Esse fermento infla o ego, desvia do essencial e faz com que a pessoa confie mais em si mesma do que em Deus. Quantas vezes nós também somos assim? Buscamos soluções humanas quando Deus já nos mostrou que é capaz de prover tudo o que necessitamos.

Jesus nos chama à memória. “Não vos lembrais?”. E segue com Suas perguntas, recordando os milagres. A mensagem é clara: quem caminha com Cristo nunca estará desamparado. O problema não é a escassez de pão, mas a falta de confiança.

Meus irmãos, esse Evangelho nos convida a refletir: que tipo de fermento estamos permitindo que cresça em nossa vida? O fermento da dúvida, da auto-suficiência, da hipocrisia? Ou o fermento da fé, da esperança e da confiança plena em Deus?

Que o Senhor abra nossos olhos e corações para que possamos ver e compreender: Ele está conosco. E com Ele, nada nos faltará.

Neste contexto, o Evangelho também nos apresenta um dos milagres mais singulares de Jesus: a cura do cego em Betsaida. Jesus, em vez de curá-lo instantaneamente, o leva para fora do povoado, toca nele e pergunta se ele já enxerga. O homem vê, mas de maneira imprecisa: “Vejo os homens como árvores que andam”. Então, Jesus toca novamente seus olhos e só então ele passa a ver claramente.

Aqui, Cristo nos ensina que a fé é um caminho progressivo. Muitos de nós queremos respostas imediatas, soluções rápidas, mas Deus tem seu tempo. Assim como aquele cego, passamos por estágios de compreensão, e a iluminação total vem com a permanência na presença de Jesus.

E um detalhe final: Jesus manda o homem ir para casa, mas proíbe que entre no povoado. Por quê? Porque a cura não se trata apenas de abrir os olhos, mas de deixar para trás um ambiente que pode trazer de volta a cegueira espiritual. Quantas vezes Deus nos liberta e insistimos em voltar ao que nos cegava?

Sigamos com Jesus, e deixemos para trás o que não nos permite enxergar a verdade.