
Homilia de hoje – Liturgia da Missa de 6ª-feira, 04/04/25
Homilia de hoje – Missa de 6ª-feira, 04/04/25
Meus irmãos, o Evangelho de hoje nos leva ao coração do mistério da identidade de Jesus. Em meio à celebração da Festa das Tendas — uma das mais alegres e importantes festas judaicas, memorial da presença fiel de Deus no deserto —, Jesus sobe a Jerusalém não de forma triunfal, mas discretamente. Ele caminha à sombra da cruz que se aproxima. A tensão cresce. O povo murmura. As autoridades tramam. E Jesus permanece fiel ao ritmo do Pai: “Ainda não chegou a minha hora.”
Os habitantes de Jerusalém estão confusos. Eles sabem que as autoridades querem matar Jesus, mas Ele fala publicamente, com liberdade, como quem tem autoridade. E se perguntam: “Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias?” Mas logo rejeitam essa possibilidade: “Este nós sabemos donde é; o Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é.”
Aqui está um ponto decisivo. O povo quer um Messias misterioso, imprevisível, surpreendente. Mas não suportam um Deus que se encarna na carne comum, na história conhecida, no rosto do vizinho. Jesus é rejeitado porque é concreto demais, humano demais, próximo demais. Porque conhecem sua origem aparente, não conseguem enxergar sua origem verdadeira. Porque o veem com os olhos do costume, não conseguem acolhê-lo com o coração da fé.
E então Jesus clama, em alta voz: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou.”
Aqui, Jesus revela seu mais profundo segredo. Ele é o Enviado. Sua origem última não é Nazaré, mas o coração do Pai. Ele vem da parte de Deus. Sua palavra, sua vida, sua missão, sua entrega — tudo nasce dessa comunhão eterna com o Pai. Ele não age por conta própria. Ele é o rosto visível do Deus invisível. Conhecê-lo é conhecer o Pai. Recusá-lo é recusar o próprio Deus.
O drama daquele tempo é o drama de todos os tempos: queremos Deus, mas do nosso jeito. Queremos salvação, mas sem escândalo. Queremos luz, mas rejeitamos a fonte. E, no fundo, tudo se resume a uma pergunta: de onde vem Jesus? Qual é sua verdadeira origem? Se Ele vem da parte de Deus, então sua palavra não é uma opinião, mas verdade. Seu gesto não é simbólico, mas salvífico. Sua cruz não é fracasso, mas revelação.
Por isso tentaram prendê-lo. Porque a verdade incomoda. Porque a luz expõe o que estava escondido. Mas ninguém pôs a mão nele, “porque ainda não tinha chegado a sua hora”. Jesus caminha na liberdade de quem vive em sintonia com o tempo do Pai. Não se apressa, não recua. Ele sabe que há uma hora marcada para sua entrega. E Ele irá até o fim.
Meus irmãos, esse Evangelho nos convida a uma decisão. Ou acolhemos Jesus como o Enviado do Pai, e então nos abrimos à vida verdadeira; ou o rejeitamos, e então continuamos prisioneiros de nossas certezas humanas.
Hoje, mais uma vez, Ele fala em alta voz. Não do alto de um púlpito, mas do íntimo do coração. Que possamos reconhecê-lo. Que saibamos de onde Ele vem. Que nos deixemos encontrar por Aquele que foi enviado para nos revelar o rosto do Pai. Amém.