
Quem ouve Jesus, ouve o Pai. Quem acolhe sua palavra, acolhe a vida eterna. Homilia de hoje – Liturgia da Missa de 4ª-feira, 02/04/25
Homilia de hoje – Missa de 4ª-feira, 02/04/25
Meus irmãos, o Evangelho de hoje nos mergulha no mistério mais profundo da relação entre o Pai e o Filho. Jesus responde aos judeus que o acusavam de violar o sábado e, ainda mais grave, de blasfêmia por chamar Deus de seu Pai. E sua resposta não é um recuo. Pelo contrário, é uma revelação solene e definitiva: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho.”
Aqui está algo essencial da fé cristã: Jesus não age por conta própria. Ele não é um mestre independente, um líder espiritual com ideias próprias. Ele é o Filho. E tudo o que faz, faz porque vê o Pai fazer. Há uma perfeita sintonia entre o Pai e o Filho. Eles partilham a mesma obra, o mesmo amor, a mesma vida. O que o Pai faz, o Filho faz também. E isso muda tudo.
Jesus revela que o Pai lhe deu o poder de dar a vida e o poder de julgar. Ele não apenas cura no sábado, como também ressuscita os mortos e anuncia a vida eterna. Ele não apenas ensina, mas tem autoridade divina. Ele não apenas fala de Deus — Ele é Deus, feito carne. O escândalo dos judeus torna-se o centro da nossa fé: o Filho é igual ao Pai. E quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.
“Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna.” Eis a promessa. Não se trata de algo futuro apenas. Já agora, quem crê passa da morte para a vida. A fé em Jesus não adia a vida nova. Ela começa no instante em que o coração se abre e a Palavra é acolhida. E mais: “Está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão.”
Jesus fala aqui da vida que Ele comunica. Não apenas biológica, mas plena, eterna, divina. A mesma vida que Ele recebe do Pai, Ele nos dá. E ao mesmo tempo, anuncia um julgamento. Porque crer ou não crer em Jesus não é algo neutro. É decisivo. O bem e o mal não são iguais. O amor e a indiferença não têm o mesmo destino. A ressurreição será para todos, mas com consequências diferentes: para a vida ou para a condenação.
Por isso, Ele conclui: “Eu julgo conforme o que escuto… porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” Aqui está a medida do verdadeiro julgamento: a escuta do Pai. Jesus não age por interesse próprio. Ele vive para fazer a vontade do Pai. E seu juízo é justo porque nasce do amor, não do egoísmo.
Meus irmãos, esse Evangelho nos convida a olhar para Jesus não como alguém distante, mas como aquele que revela o coração do Pai. Quem vê Jesus, vê o Pai. Quem ouve Jesus, ouve o Pai. Quem acolhe sua palavra, acolhe a vida eterna.
Que hoje possamos abrir o coração a essa presença. Que deixemos a voz do Filho nos alcançar, nos despertar, nos levantar. Pois Ele não veio para condenar, mas para salvar. Ele trabalha sempre. E ainda hoje, continua a dar vida a todos os que creem. Amém.