Homilia de hoje – Liturgia da Missa de 3ª-feira, 08/04/25

Homilia diária 3ª feira

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Homilia de hoje – Missa de 3ª-feira, 08/04/25

No Evangelho de hoje, mergulhamos em uma das declarações mais intensas e profundas de Jesus, dita não aos seus discípulos, mas àqueles que o acusavam, os fariseus. Em meio ao confronto, à incompreensão e à cegueira espiritual, o Senhor pronuncia uma frase que carrega em si todo o peso da revelação divina: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou.”

Esta frase é um eco do próprio nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente: “Eu sou aquele que sou.” Jesus não apenas aponta para sua identidade messiânica. Ele se revela como Aquele que existe desde sempre, consubstancial ao Pai, o próprio Deus feito carne. “Eu sou” não é uma simples resposta. É uma declaração de eternidade.

Mas essa revelação, paradoxalmente, se dará no momento de sua maior humilhação: na cruz. “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem…” Não quando o coroarem, não quando o seguirem em multidão, mas quando o levantarem no madeiro da vergonha, da dor, da rejeição. Ali, no alto da cruz, o amor se mostrará em plenitude. Ali, a luz vencerá as trevas. Ali, Deus revelará quem Ele é.

Esse é o mistério mais escandaloso do cristianismo: a glória de Deus se manifesta no abandono. A majestade divina brilha no rosto desfigurado do Crucificado. A cruz, instrumento de morte, se transforma em trono de revelação. O alto da cruz é, ao mesmo tempo, o mais profundo abismo da dor humana e a mais alta expressão da compaixão divina.

Jesus continua: “Nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou.” Aqui está o coração da obediência de Cristo. Ele não age por conta própria. Ele é o Filho em perfeita sintonia com o Pai. E por isso pode dizer: “Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado.”

A cruz não foi um acidente. Foi uma escolha. Uma entrega. Um gesto de amor radical. E é por isso que, ao olharmos para o Crucificado, não vemos apenas sofrimento — vemos a verdade. Vemos o “Eu sou” revelado em carne viva. A cruz é o lugar onde a incredulidade pode se converter em fé. Onde a dúvida encontra resposta. Onde os olhos se abrem.

Meus irmãos, esse Evangelho nos convida a contemplar a cruz não como fim, mas como revelação. Muitos só creram depois que viram Jesus elevado. E nós? O que vemos quando olhamos para o Crucificado? Vemos apenas dor? Ou enxergamos ali a face de um Deus que nos ama até o fim?

“Quando tiverdes elevado o Filho do Homem…” Isso também acontece cada vez que erguemos os olhos para a cruz com fé. Cada vez que permitimos que o amor de Cristo crucificado toque nossas feridas, nossas culpas, nossos medos. Cada vez que reconhecemos ali o “Eu sou”.

Que o Senhor nos conceda olhos para ver, fé para crer e coragem para seguir Aquele que foi elevado para nos revelar o Pai. Amém.