Homilia de hoje – Liturgia da Missa de 2ª-feira, 07/04/25

Homilia diária 2ª feira

5ª Semana da Quaresma – Jo 8,12-20 – Homilia de hoje – Liturgia da Missa de 2ª-feira, 07/04/25

Homilia de hoje – Missa de 2ª-feira, 07/04/25

Meus irmãos, hoje nos deparamos com uma das afirmações mais profundas de Jesus sobre si mesmo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.” Essa não é apenas uma imagem poética. É uma revelação teológica que atravessa toda a Escritura e ilumina o sentido da existência humana.

No princípio, Deus disse: “Fiat lux — Faça-se a luz.” E a luz foi a primeira realidade criada, separando o caos das trevas. A luz é, desde o Gênesis, símbolo da presença de Deus, do seu poder criador, do seu desejo de dar ordem, beleza e sentido à criação. Quando Jesus diz “Eu sou a luz do mundo”, Ele não está apenas dizendo que ilumina. Ele está dizendo: “Eu sou aquele por meio de quem tudo foi feito. Eu sou aquele que dá sentido a tudo.”

Mas o mundo, irmãos, tantas vezes prefere as sombras. As trevas aqui não são apenas ausência física de luz, mas condição espiritual. Viver nas trevas é viver sem direção, sem verdade, sem amor. É estar perdido em si mesmo, guiado pelo medo, pelo ego, pelo orgulho. Jesus vem para romper essa escuridão. Ele é a luz que revela quem somos, onde estamos e para onde vamos. Ele é a luz que expõe, sim — mas para curar, para restaurar, para salvar.

Os fariseus rejeitam seu testemunho. Dizem que não vale, que é inválido porque Ele fala de si mesmo. Mas Jesus responde com firmeza: “O meu testemunho é válido, porque sei de onde venho e para onde vou.” Aqui está um traço essencial da luz: ela conhece sua origem e seu destino. Jesus não é um mestre perdido, um líder qualquer. Ele vem do Pai e volta para o Pai. Ele é a manifestação visível da verdade eterna.

E por isso Ele diz: “Vós julgais segundo a carne.” Ou seja, segundo aparências, critérios humanos, vaidades passageiras. Mas a luz não julga com os olhos da carne. Ela enxerga com os olhos do Espírito. E mesmo quando julga, o faz com justiça, porque o Pai está com Ele. É um julgamento que não condena, mas que revela e redime.

“Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.” Aqui está o cerne da fé cristã. Conhecer Jesus é conhecer o Pai. Ver a luz é ver a fonte. Seguir Jesus é caminhar na luz, é viver em comunhão com o próprio Deus. Fora disso, tudo é sombra.

Hoje, num mundo saturado de informações mas carente de sentido, Jesus continua a dizer: “Eu sou a luz do mundo.” Ele é a única luz que não se apaga. A única luz que não engana. A única luz que não ofusca, mas revela a beleza escondida da vida.

E o mais belo: essa luz não nos julga pelo passado, mas nos chama para um futuro novo. Quem o segue “terá a luz da vida.” Ou seja, não apenas andará na claridade, mas carregará dentro de si a própria presença de Deus. Seremos também nós pequenas luzes no mundo, refletindo a luz do Cristo.

Meus irmãos, acolher Jesus é deixar que a luz penetre os cantos mais escuros do coração. É permitir que a verdade cure. Que o amor transforme. Que o Espírito nos conduza.

Sigamos, então, a luz. E que, iluminados por Ele, possamos também nós ser sinais de esperança num mundo mergulhado em tantas trevas. Amém.