Homilia – “Aquele que praticar e ensinar os mandamentos, será considerado grande”. Mt 5, 17-19
Homilia – “Aquele que praticar e ensinar os mandamentos, será considerado grande”. Mt 5, 17-19
Ouvir e viver os mandamentos são atitudes para que a comunidade de fé cresça e fortaleça nos vínculos com Deus e com os irmãos. Os inimigos de Jesus acusam-no de atropelar a Lei. Porém, a submissão dele à Lei era de caráter espiritual. O legalismo estava fora de cogitação. Importava estar atento ao espírito da Lei, escondido nas palavras. Ele não é contra a Lei, mas ensina que devemos ir além da letra, até descobrir o espírito que a inspira. São Paulo lembra: “A Lei mata, o Espírito vivifica.”
A preocupação de Jesus é a prática do amor misericordioso, de modo especial em relação aos pobres e marginalizados. Nisso é radical, não podemos descuidar da vivência do amor e da defesa da vida.
Somos chamados a ir além da Lei. Devemos carregá-la de vida… amar mais. A lei marca um limite, a vivência do amor não tem limites. Jesus alarga os horizontes e liberta do legalismo. Não podemos ceder ao nosso egoísmo e nem à acomodação. São Paulo lembra: “quem ama, cumpre a Lei”. O amor nos humaniza, é uma verdadeira recompensa, não um meio para alcançar prêmios, mas o caminho para todos os caminhos.

As leis, normas religiosas são como “andadores”, que impedem uma queda: podemos precisar deles por um tempo. Mas, no dia em que aprendemos a andar, serão um estorvo. Quando chegarmos a um conhecimento profundo de nosso próprio ser, não precisaremos de apoio externo para caminhar rumo à verdadeira meta. E compreenderemos melhor o ensinamento de Santo Agostinho: “Ame e faça o que quiser”.
Nosso cristianismo será mais humano quando aprendermos a viver leis, normas, preceitos e tradições como Jesus. “Não vim abolir a Lei e os Profetas… mas dar o pleno cumprimento”. A Lei deve levar a acolher, compreender e amar os outros. Lembra o profeta: “Amo a generosidade e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos” (Os 6, 6). Nisso, a Lei se revela carregada de humanismo. Caso contrário, caímos no legalismo, que nos desvia do essencial: a vivência do amor gratuito, misericordioso, solidário, oblativo e expansivo…
Rezemos: Senhor, livra-me do legalismo que escraviza e dá-me a liberdade de amar.
O Senhor nos abençoe e guarde.

